Farinha de grilo pode ser o novo whey, mas esbarra em falta de regras e preconceito no Brasil; entenda
A ideia é transformar o grilo em farinha, formando um pó proteico que pode ser usado em shakes, barras e até receitas do dia a dia, sem aquele aspecto esquisito
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A ideia parece estranha, mas o “novo whey” pode estar mais perto do que a gente imagina. A farinha de grilo, rica em proteínas e cheia de benefícios nutricionais, já chama atenção no mundo todo, mas ainda esbarra em regras e no preconceito para ganhar espaço no prato dos brasileiros. Se deu nervoso só de imaginar comer inseto, calma: a ideia é transformar o grilo em farinha, formando um pó proteico que pode ser usado em shakes, barras e até receitas do dia a dia, sem aquele aspecto esquisito.
De acordo com a engenheira de alimentos e professora da ESALQ/USP, Camila Paglarini, em entrevista ao g1, a farinha feita à base de grilo contém todos os aminoácidos essenciais — aqueles que o corpo humano não produz e precisam ser obtidos pela alimentação. Os grilos têm alto valor nutricional com proteínas de boa qualidade. Em alguns casos, eles chegam a ter níveis bem relevantes de proteína e ainda com menos gordura e impacto ambiental do que as carnes tradicionais.
Então, por que isso ainda não bombou no Brasil? A resposta é um combo de fatores. O principal deles é a falta de regulamentação. Hoje, não existem normas claras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o consumo de insetos por humanos, o que trava a venda em larga escala. O outro ponto é cultural. Apesar de mais de 2 bilhões de pessoas no mundo consumirem insetos, por aqui a ideia ainda causa estranhamento. Muita gente associa o consumo a algo nojento, o que dificulta a aceitação, mesmo com todos os benefícios.
O processo começa com a transformação do grilo — especialmente da espécie Gryllus assimilis, adaptada ao clima brasileiro — em farinha. A estratégia é justamente disfarçar o ingrediente: sem asas, sem pernas, sem cara de inseto, apenas proteína. O grilo pode até ter potencial para virar o próximo queridinho fitness, mas antes vai precisar vencer a burocracia e a aceitação do consumidor brasileiro.
*com NSC Total