31 de julho de 2025
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Pregador de roupa na sobrancelha alivia enxaqueca? Neurologista explica se truque viral funciona

Prática que bombou nas redes sociais não tem comprovação científica, mas pressão em pontos específicos do crânio pode gerar alívio temporário; especialista alerta sobre risco de atrasar tratamento

Por Redação
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Sensação de alívio relatada por algumas pessoas pode ter uma explicação fisiológica - Foto: Reprodução/Redes sociais

Um truque inusitado tem dominado as redes sociais nos últimos dias: usar um pregador de roupa na sobrancelha para aliviar a enxaqueca. A prática, que viralizou em vídeos curtos nas plataformas digitais, levanta dúvidas entre os internautas sobre sua eficácia e, principalmente, sobre sua segurança. Afinal, será que um simples objeto doméstico pode resolver um dos problemas de saúde mais incapacitantes do mundo? A resposta, segundo especialistas, não é tão simples e exige cautela.

De acordo com a neurologista Luciana Barbosa, do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, não há qualquer evidência científica que comprove a eficácia do método. "Não existe nenhuma base científica para usar pregador de roupa na sobrancelha para aliviar enxaqueca. Não tem evidência nenhuma, isso nunca foi analisado", afirma a médica. No entanto, ela explica que a sensação de alívio relatada por algumas pessoas pode ter uma explicação fisiológica. "A gente sabe que alguns pontos do crânio, quando pressionados, podem ajudar a modular as vias da dor. Nessa região acima da sobrancelha, temos a saída de nervos cranianos. Naturalmente, às vezes, quando a pessoa está com dor de cabeça, ela pressiona essas regiões e pode sentir alívio", diz Luciana.

Ou seja, o possível efeito benéfico não estaria no pregador em si, mas na pressão mecânica exercida sobre pontos específicos da face. Ainda assim, a especialista ressalta que o alívio tende a ser limitado e não resolve a crise por completo. "Possivelmente, as pessoas que percebem melhora estão fazendo uma pressão nesses locais específicos e isso ajuda, mas é claro que uma crise de enxaqueca normalmente não melhora só com essas medidas", acrescenta a neurologista. O grande alerta, segundo ela, é que o truque não substitui o tratamento adequado e pode até atrapalhar. "O risco propriamente dito eu não vejo, mas o benefício é limitado e temporário. Às vezes, isso acaba atrasando a pessoa de tomar a medicação, e a crise pode vir mais forte e ser mais difícil de tratar depois", destaca.

A orientação da médica é clara: quem sofre com enxaqueca não deve adiar o tratamento medicamentoso. "Infelizmente, a gente acaba precisando lançar mão do tratamento medicamentoso, porque são dores que atrapalham o dia a dia. Quanto antes tomar a medicação adequada, maior a chance de sucesso", orienta. Segundo ela, esperar muito pode dificultar o controle da crise, já que ocorre a liberação de substâncias inflamatórias ao longo do episódio. Para quem convive com o problema, a recomendação final é reconhecer os sinais iniciais da crise e seguir a orientação médica rigorosamente. "O ideal é tomar a medicação logo no início, quando a pessoa percebe que está entrando em crise", conclui a neurologista.