Alagoas tem queda no acesso a esgoto e 441 mil domicílios usam fossas rudimentares ou despejo direto em rios e mar
Enquanto Brasil e Nordeste avançam, estado recua e permanece entre os seis piores do país. Dados são da PNAD Contínua 2025
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Alagoas é o único estado do Nordeste que registrou queda no acesso ao esgotamento sanitário adequado nos últimos anos. Em 2025, apenas 37,2% dos domicílios alagoanos contavam com rede geral de esgoto ou fossa séptica ligada à rede – o pior índice desde 2023, quando o estado atingiu 44%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta sexta-feira (17) pelo IBGE.
Enquanto o Brasil subiu de 69,7% (2023) para 71,4% (2025) e o Nordeste avançou de 50,4% para 52,4% no mesmo período, Alagoas tomou o caminho oposto. O estado ocupa hoje a 6ª pior posição do país no indicador. Segundo o pesquisador do IBGE William Araújo Kratochwill, a queda pode estar ligada ao crescimento acelerado do número de domicílios em áreas sem infraestrutura: “A expansão habitacional ocorre em ritmo mais acelerado que a estrutura, o que contribui para a redução do indicador”.
441 mil domicílios usam formas precárias
A maioria dos alagoanos ainda depende de soluções inadequadas. Em 2025, 38,9% dos domicílios (441 mil) utilizavam “outro tipo” de escoadouro – fossa rudimentar, vala, lançamento direto em rio, lago ou mar. Somadas às fossas não ligadas à rede (23,9%), essas alternativas representam a maior parte do esgotamento no estado, evidenciando a baixa cobertura de infraestrutura.
Destino do lixo: Alagoas tem terceiro maior avanço do país
Na destinação do lixo, o cenário é diferente. Alagoas registrou o terceiro maior avanço do país desde 2016: a coleta direta por serviço de limpeza saltou de 66,5% para 83,4% dos domicílios. Apesar da evolução, o estado ainda fica abaixo da média nacional (86,9%). A queima de lixo na propriedade caiu, mas persiste nas áreas rurais: 47,1% dos domicílios rurais ainda queimam o lixo, contra apenas 0,6% nas áreas urbanas.