31 de julho de 2025
DISTRITO FEDERAL

PCDF desmonta esquema que desviava remédios de alto custo para câncer

Operação Alto Custo revelou organização criminosa que furtava e roubava medicamentos essenciais, revendia com notas fiscais frias e colocava em risco pacientes oncológicos e transplantados

Por Redação
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Medicamentos roubados custavam até R$ 80 mil - Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nas primeiras horas desta sexta-feira (17), a Operação Alto Custo contra uma organização criminosa especializada no furto e roubo de medicamentos de alto valor, muitos deles essenciais para o tratamento de câncer e para pacientes que passaram por transplantes de órgãos. A investigação foi coordenada pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul).

O esquema era sofisticado: os criminosos desviavam ou roubavam os remédios, utilizavam empresas de fachada para emitir notas fiscais frias e recolocavam os produtos no mercado como se fossem legítimos – inclusive abastecendo hospitais públicos e instituições de saúde em várias regiões do país. As investigações ganharam força após a interceptação de uma carga roubada avaliada em R$ 4 milhões, tomada de assalto no Rio de Janeiro em 31 de março e transportada por via aérea até o DF. No dia 6 de abril, os investigadores apreenderam os produtos, que tinham como destino o Hospital Salgado Filho, na capital fluminense.

Funcionários da própria farmacêutica também participavam do esquema: 13 funcionários de uma empresa do setor foram identificados como responsáveis por desviar medicamentos diretamente de dentro da companhia, usando artifícios para mascarar os furtos. Todos foram indiciados, assim como os líderes do grupo.

Risco à saúde dos pacientes
Um dos aspectos mais graves da investigação é que, após o roubo, os medicamentos não eram armazenados sob refrigeração adequada, condição essencial para preservar sua eficácia. Com isso, muitas substâncias perdiam o efeito terapêutico, transformando-se em placebos ou até mesmo se tornando tóxicas. Mesmo assim, eram comercializados e administrados em pacientes em estado crítico, incluindo oncológicos.

A polícia também apura a ligação do grupo com facções criminosas atuantes no Rio de Janeiro, responsáveis pelos roubos das cargas. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e 5 mandados de prisão preventiva no DF, no Entorno e em Goiânia. A operação contou com apoio da Divisão de Operações Especiais (DOE), da Polícia Civil de Goiás (PCGO) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O delegado-chefe da 10ª DP, Laércio Rossetto, afirmou: “Não se trata apenas de um esquema milionário, mas de um ataque direto à vida. Esses criminosos colocaram em risco pacientes extremamente vulneráveis, que dependem desses medicamentos para sobreviver.”