31 de julho de 2025
JUSTIÇA

Influencer que gastou R$ 100 mil para parecer com Cauã Reymond pode voltar à prisão

Ministério Público aponta que investigado retomou uso de redes sociais, o que é proibido pela Justiça; defesa tenta evitar nova prisão com pedido de habeas corpus

Por Redação
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Influencer que gastou R$ 100 mil para parecer com Cauã Reymond pode voltar à prisão - Foto: Reprodução

O influenciador digital Gleiciano Martins de Sousa, conhecido como Junior Azevedo, pode voltar a ser preso após o Ministério Público apontar descumprimento de medidas cautelares impostas pela Justiça. Segundo o órgão, ele teria retomado a publicação de conteúdos nas redes sociais, apesar de estar proibido de acessar a internet.

Morador de Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza, Gleiciano ganhou notoriedade nas redes ao afirmar que gastou mais de R$ 100 mil em procedimentos estéticos para tentar se parecer com o ator Cauã Reymond.

Ele foi preso em 2025 no âmbito de investigações que apuram a atuação de uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes, cometer crimes contra a economia popular e lavar dinheiro por meio de plataformas fraudulentas de jogos de azar online, conhecidas como “Jogo do Tigrinho”.

Após a prisão, o influenciador foi colocado em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica e sob uma série de restrições, entre elas a proibição de acessar redes sociais — condição que, segundo o Ministério Público, vem sendo desrespeitada de forma reiterada.

De acordo com o órgão, o investigado passou a publicar vídeos relatando experiências no sistema prisional e exibindo sua rotina com monitoramento eletrônico. Para o MP, a conduta demonstra “desprezo” pelas determinações judiciais e compromete a eficácia das medidas cautelares.

Além disso, os conteúdos recentes passaram a abordar temas políticos, com o influenciador se posicionando como militante de direita. O Ministério Público avalia que ele tem utilizado a visibilidade obtida após a prisão para ampliar sua audiência nas redes.

Diante do pedido de prisão preventiva, a defesa de Gleiciano ingressou com habeas corpus preventivo. A advogada Elaine Maria Mota Araújo sustenta que há “ameaça concreta e iminente” à liberdade do cliente.

As investigações da chamada “Operação Quéfren” apontam que o influenciador teria papel relevante na captação de vítimas para o esquema. Segundo apuração, ele foi contratado para atrair usuários a uma plataforma fraudulenta, utilizando contas programadas para simular ganhos e incentivar apostas.

Os dados levantados também indicam que, entre novembro de 2023 e abril de 2024, Gleiciano movimentou mais de R$ 5 milhões — valor considerado incompatível com sua renda declarada.

O caso segue sob análise da Justiça.