Anvisa e conselhos de saúde firmam pacto para uso seguro de canetas emagrecedoras
Medicamentos GLP-1, populares para perda de peso, têm uso crescente e preocupam autoridades por irregularidades na importação, manipulação e prescrição
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os conselhos Federal de Medicina (CFM), de Odontologia (CFO) e de Farmácia (CFF) assinaram uma carta de intenção para promover o uso racional e seguro dos medicamentos agonistas do receptor GLP-1 – conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. O objetivo é prevenir riscos sanitários associados a produtos e práticas irregulares, alinhar informações técnicas e desenvolver ações educativas.
A iniciativa faz parte de um plano mais amplo anunciado pela Anvisa no dia 6 de abril para combater irregularidades na importação e manipulação desses fármacos. Entre as medidas previstas estão o incentivo à prescrição responsável, o fortalecimento da notificação de eventos adversos e campanhas de orientação para profissionais de saúde e população. A agência destacou que o aumento da oferta e da procura tem sido acompanhado por falhas em etapas como importação, manipulação, prescrição e dispensação, o que pode expor pacientes a riscos evitáveis.
A carta de intenção ressalta a preocupação com o uso crescente de medicamentos originalmente indicados para diabetes e obesidade em contextos clínicos não apropriados. A Anvisa informou que ainda nesta semana devem ser publicadas portarias para criação de grupos de trabalho: um com caráter consultivo para acompanhar a implementação do plano, e outro composto pelos conselhos para discussão técnica.
Apreensões e alertas
Nesta semana, a Anvisa determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral – produtos irregulares, sem registro na agência, vendidos como canetas emagrecedoras. “Não há qualquer garantia quanto ao seu conteúdo ou qualidade”, alertou a Anvisa, proibindo sua comercialização, distribuição, importação e uso.
Paralelamente, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus vindo do Paraguai com contrabando de canetas emagrecedoras e anabolizantes em Duque de Caxias. Um casal foi preso em flagrante com grande quantidade de produtos irregulares, incluindo mil frascos de canetas contendo tirzepatida.
Riscos à saúde
Em fevereiro, a Anvisa já havia emitido um alerta de farmacovigilância sobre o uso indevido de canetas emagrecedoras (dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida). A agência reforçou que esses medicamentos devem ser usados exclusivamente sob prescrição e acompanhamento médico, devido ao risco de eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda, que pode evoluir para formas necrotizantes e fatais.