31 de julho de 2025
rio de janeiro

Justiça condena terceiro réu por morte de congolês a mais de 18 anos de prisão

Brendon Alexander foi responsável por imobilizar vítima durante quase 13 minutos de espancamento na Barra da Tijuca

Por Redação
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Imagens mostram que Moïse foi espancado por quase 13 minutos - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A Justiça condenou, nesta quarta-feira (15), Brendon Alexander Luz da Silva a 18 anos e 8 meses de reclusão, em regime fechado, pela morte do congolês Moïse Mugenvi Kabagambe, assassinado em 24 de janeiro de 2022. Com essa decisão, Brendon se torna o terceiro acusado do crime a ser condenado. Em março deste ano, os outros dois réus — Fábio Pirineus da Silva e Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca — haviam recebido penas que, somadas, chegam a 44 anos de prisão, também em regime fechado. O crime ocorreu na praia da Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio de Janeiro, e ganhou repercussão nacional e internacional pelas imagens de violência extrema.

As câmeras de segurança do quiosque Tropicália flagraram Moïse sendo espancado por quase 13 minutos. Ele levou golpes de taco de beisebol, socos, chutes e tapas. A investigação apontou que as agressões começaram após a vítima cobrar diárias atrasadas do dono do estabelecimento. As imagens também mostram Brendon ao lado de outro acusado posando para uma foto enquanto Moïse já estava imobilizado no chão, aparentemente desacordado. A crueldade do caso foi enfatizada pela Justiça: o Conselho de Sentença do 1º Tribunal do Júri reconheceu que o crime foi praticado com meio cruel, pois a vítima foi agredida "como se fosse um animal peçonhento".

A juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, que presidiu a sessão, destacou o papel ativo de Brendon na execução do crime. Segundo ela, o réu imobilizou a vítima por 12 minutos e 40 segundos, permitindo que os outros acusados continuassem as agressões. "Durante esse tempo, nada fez para cessar a desnecessária violência", escreveu a magistrada. O julgamento começou por volta das 11h30 e ouviu testemunhas que trouxeram versões contraditórias e revelaram omissões no dia do assassinato.

A primeira depoente foi Viviane de Mattos Faria, responsável por um quiosque vizinho ao Tropicália. Ela entrou em contradição ao afirmar inicialmente ter ouvido gritos na área externa durante as agressões e, depois, dizer que Moïse estaria descontrolado por ter perdido uma companheira e o filho no parto. Viviane também declarou que não assistiu aos vídeos das agressões, mas sabia que Brendon era lutador de jiu-jitsu e que a vítima fazia uso eventual de bebida alcoólica. Em seguida, o dono do quiosque Tropicália, Carlos Fábio da Silva Muse, negou que Moïse fosse dado a confusões, embora tenha admitido que ele parecia alterado no dia do crime. Carlos afirmou ainda que não devia diárias ao congolês e que só foi acionado após o desentendimento entre os funcionários.

O gerente do estabelecimento, Jailton Pereira Campos, conhecido como "Baixinho", relatou que Moïse foi agredido e amarrado com uma corda. Questionado pelo Ministério Público sobre a ausência de socorro, ele justificou: "Eu estava sem telefone e não pensei em ligar e pedir ajuda". Jailton classificou o episódio como "traumático". Já o réu Brendon Alexander, durante seu interrogatório, confirmou que amarrou a vítima, mas negou intenção de matá-la ou de usar técnicas de jiu-jitsu para machucá-la. "A minha intenção, a todo momento, era imobilizá-lo até a chegada da polícia. Quando vi que ele havia desmaiado, tentei massagem cardíaca e percebi que não respondia mais. Fiquei desesperado", declarou. Por fim, pediu perdão à própria mãe e à família de Moïse. A defesa do réu ainda pode recorrer da decisão.