Moradores protestam contra esvaziamento da Barragem do Cipó, em Caruaru
Prefeitura afirma que água é imprópria para consumo e que estrutura tem alto risco de colapso; famílias temem perda de fonte de água e cobram auxílio-aluguel pendente
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Moradores de áreas próximas à Barragem do Cipó, na zona rural de Caruaru, Agreste de Pernambuco, realizaram um protesto na quarta-feira (15) contra o processo de esvaziamento do reservatório. A mobilização reflete a preocupação das famílias com possíveis riscos da operação e com a perda de uma fonte de água utilizada no dia a dia.
Apesar das queixas, a Prefeitura de Caruaru informou que a água da barragem é imprópria para consumo humano. Segundo relatório técnico da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), o reservatório não era utilizado para abastecimento, servindo apenas para regularização de vazão, embora moradores fizessem uso por conta própria.
A água está sendo direcionada para o Rio Ipojuca. De acordo com o engenheiro responsável pela intervenção, Kleber Lins, o processo ocorre de forma controlada e não oferece risco de alagamentos ou impactos às comunidades ribeirinhas. Ele afirmou ainda que o volume liberado é baixo e inferior à capacidade do leito do rio.
O descomissionamento está sendo realizado com vazão média de cerca de 4 metros cúbicos por minuto e deve durar entre 12 e 15 dias. A operação conta com monitoramento contínuo, incluindo uso de drones e equipes de campo, além do acompanhamento de órgãos como Apac, CPRH e Defesa Civil.
Após o esvaziamento, será iniciada a fase de descaracterização da barragem, com a demolição da estrutura. O material retirado, estimado entre 39 mil e 40 mil metros cúbicos, será utilizado na recomposição da área atualmente alagada.
O projeto foi apresentado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que já havia apontado risco elevado de colapso da estrutura com base em inspeções anteriores. O histórico inclui uma ação civil pública movida em 2023, após relatório da Agência Nacional de Águas indicar risco de rompimento. Em 2024, a Justiça determinou a adoção de medidas corretivas no prazo de 180 dias.
Durante o protesto, moradores também cobraram respostas sobre o pagamento de auxílio aluguel, que, segundo eles, está pendente desde a retirada de habitações irregulares na área, realizada há cerca de quatro anos. Até o momento, a prefeitura não se pronunciou sobre essa demanda nem sobre a destinação futura da área após a conclusão das obras.