31 de julho de 2025
JUSTIÇA

MP de Alagoas cria procedimento para coletar dados sobre violência contra população LGBTQIAPN+ em Arapiraca

Promotoria solicitará à Polícia Civil e às secretarias de Saúde informações sobre agressões, inquéritos e atendimentos. Objetivo é subsidiar políticas públicas e atuação institucional

Por Redação
Publicado em
Fachada do Ministério Público de Alagoas. - Foto: Divulgação

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), por meio da 7ª Promotoria de Justiça de Arapiraca, instaurou um Procedimento Administrativo com o objetivo de coletar dados e informações sistemáticas sobre a violência praticada contra a população LGBTQIAPN+ no âmbito da comarca. A portaria foi assinada pelo promotor de Justiça Maurício Amaral Wanderley no dia 14 de abril de 2026.

O procedimento considera que a população LGBTQIAPN+ é historicamente vulnerabilizada e que a atuação proativa do Ministério Público, tanto na prevenção quanto na repressão, depende de dados objetivos e atualizados sobre a realidade local. A falta de informações qualificadas dificulta a formulação de estratégias eficazes e a articulação com os órgãos de segurança e saúde.

O que o MP quer saber
A promotoria determinou a expedição de ofícios à Delegacia de Polícia Civil de Arapiraca e às Secretarias de Saúde Estadual e Municipal, com prazo de 15 dias para envio das seguintes informações:

À Polícia Civil:

  • Número de registros policiais envolvendo violência contra pessoas LGBTQIAPN+ nos últimos 6 meses;
  • Quantidade de inquéritos instaurados para apurar crimes com essa motivação;
  • Dificuldades enfrentadas para qualificação e registro adequado dessas ocorrências;
  • Existência de protocolos internos ou orientações para identificação e classificação desses casos.

Às Secretarias de Saúde:

  • Dados sobre atendimentos em unidades de saúde (hospitais, postos, serviços de emergência) relacionados a agressões e violências, com recorte específico para a população LGBTQIAPN+.

Objetivos do procedimento
Com base nos dados coletados, o Ministério Público pretende:

  • Padronizar e qualificar o registro dessas ocorrências;
  • Subsidiar a atuação extrajudicial (expedição de recomendações, requisição de diligências);
  • Instaurar outros procedimentos e, se necessário, propor ações estruturantes para garantir direitos e proteger a população LGBTQIAPN+.

A portaria foi publicada no Diário Oficial do MPAL.