31 de julho de 2025
capturado pelo ICE

Prisão de Ramagem nos EUA: uso de passaporte cancelado, monitoramento e cooperação internacional levaram à captura

Ex-deputado foi detido em Orlando após meses de investigação envolvendo Polícia Federal e autoridades americanas

Por Redação
Publicado em
Investigadores descobriram local da residência de Ramagem nos EUA ao monitorar carro que ele usou para buscar esposa em aeroporto - Foto: Divulgação

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nesta segunda-feira (13), em Orlando, na Flórida, em uma operação que envolveu meses de monitoramento e cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, ele estava foragido desde 2025 e passou a ser alvo de uma força-tarefa internacional.

A localização de Ramagem começou a partir de uma pista considerada decisiva: o veículo utilizado por ele nos Estados Unidos. A Polícia Federal identificou o carro usado para buscar a esposa no aeroporto após sua chegada ao país, o que levou os investigadores até o endereço onde ele estava residindo em Orlando. Durante o acompanhamento, as autoridades descobriram ainda que o ex-parlamentar teria adquirido um automóvel utilizando um passaporte já cancelado por decisão da Justiça brasileira.

Apesar da tentativa de enquadrá-lo por fraude documental, a Justiça americana não autorizou a prisão com base nesse crime, o que levou os investigadores a concentrarem a estratégia na situação migratória irregular de Ramagem nos Estados Unidos.

A abordagem aconteceu em via pública. Agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) interceptaram o ex-deputado enquanto ele caminhava por uma rua em Orlando. Inicialmente, a abordagem foi justificada por uma suposta infração de trânsito, mas, ao apresentar um passaporte inválido, a irregularidade migratória foi confirmada, resultando na prisão imediata.

As investigações também apontam que Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana antes da conclusão do julgamento no STF. De lá, seguiu para os Estados Unidos, onde permaneceu até ser localizado.

A operação foi viabilizada por um trabalho de inteligência conjunto. Um delegado da Polícia Federal que atua como oficial de ligação junto ao ICE em Miami teve papel central no compartilhamento de informações com as autoridades americanas. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, os alertas emitidos foram fundamentais para a captura do foragido, dentro de um acordo de cooperação internacional entre os dois países.

Atualmente, Ramagem está detido em um centro de imigração e deverá passar por audiência com um juiz em Jacksonville, também na Flórida. A defesa pretende solicitar liberdade provisória e deve pedir asilo político. Já o governo brasileiro busca reforçar junto à Justiça americana que a condenação se refere a crimes comuns, e não a perseguição política.

O pedido de extradição já havia sido formalizado pelo Ministério da Justiça em dezembro de 2025, após a cassação do mandato do ex-deputado. Agora, o caso entra em uma nova fase, com a decisão sobre sua permanência ou retorno ao Brasil dependendo da Justiça dos Estados Unidos.