31 de julho de 2025
ECONOMIA

Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos em meio a tensões no Oriente Médio

Moeda recua com sinais de retomada de diálogo entre EUA e Irã e maior fluxo de capital para mercados emergentes, como o Brasil

Por Redação
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Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos em meio a tensões no Oriente Médio - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O dólar voltou a cair nesta segunda-feira (13) e encerrou o dia abaixo de R$ 5, atingindo o menor patamar desde março de 2024. A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 4,996, com recuo de 0,30%, em um cenário marcado por incertezas geopolíticas e movimentações no mercado internacional.

Ao longo do dia, o câmbio apresentou volatilidade. Pela manhã, a divisa chegou a subir diante do aumento da aversão ao risco global, impulsionada pela escalada de tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, especialmente em torno do Estreito de Ormuz.

O movimento, no entanto, perdeu força durante a tarde após declarações do ex-presidente Donald Trump, que afirmou ter sido procurado por autoridades iranianas para retomar negociações e buscar uma saída para o conflito. A sinalização de possível reabertura do diálogo ajudou a aliviar a pressão sobre os mercados.

No menor nível do dia, o dólar chegou a R$ 4,983, também o valor mais baixo em dois anos. No acumulado de 2026, a moeda já registra desvalorização de cerca de 9% frente ao real.

O cenário internacional segue como principal fator de influência. Em momentos de crise, é comum a migração de investidores para ativos considerados mais seguros, como o dólar. Desta vez, porém, analistas apontam uma combinação de fatores que tem limitado esse movimento.

Entre eles, estão o aumento da percepção de risco em relação à política econômica dos Estados Unidos, o alto nível de endividamento do país e as incertezas provocadas por conflitos simultâneos em diferentes regiões do mundo.

Esse ambiente tem favorecido a chamada “rotação de capital”, com investidores direcionando recursos para economias emergentes. No caso do Brasil, o movimento aumenta a demanda por ativos locais, como ações, e contribui para a valorização do real frente à moeda norte-americana.

Além disso, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes — também operou em queda ao longo do dia, reforçando a tendência de enfraquecimento da divisa no mercado global.

Apesar do alívio momentâneo, o comportamento do câmbio segue sensível aos desdobramentos no cenário internacional, especialmente às negociações envolvendo Estados Unidos e Irã e à evolução dos conflitos geopolíticos.