Saída silenciosa marca virada na Dolce & Gabbana
Grife anuncia novos CEOs após saída silenciosa do cofundador e enfrenta queda de popularidade e desafios financeiros
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A Dolce & Gabbana passa por uma reconfiguração importante em sua estrutura de liderança em meio a um cenário desafiador no mercado global de luxo. A marca italiana confirmou, em abril de 2026, a saída de seu cofundador, Stefano Gabbana, da presidência, decisão que, embora tenha sido tomada ainda em janeiro deste ano, só veio a público meses depois.
A movimentação chamou atenção não apenas pelo peso do nome envolvido, mas também pela forma discreta como foi conduzida. Mesmo deixando o cargo executivo, Gabbana permanece à frente da direção criativa da grife, ao lado de Domenico Dolce, mantendo influência direta na identidade estética e nas coleções da marca.
A reorganização foi acompanhada pela definição de uma nova cúpula executiva. O comando passa a ser dividido entre Alfonso Dolce, irmão de Domenico, que assumiu a presidência ainda em janeiro, e Stefano Cantino, anunciado em 13/04 como co-CEO.
A chegada de Cantino é vista como estratégica. Com trajetória consolidada no setor de luxo, ele já ocupou o cargo de CEO da Gucci e construiu uma carreira de mais de duas décadas no grupo Prada, além de passagem pela Louis Vuitton. Seu perfil é associado a processos de reposicionamento de marca e expansão internacional, pontos considerados cruciais neste momento.
Isso porque a Dolce & Gabbana enfrenta um período de pressão no mercado. A marca vem registrando perda de tração junto ao público consumidor, especialmente em mercados-chave como a Ásia e países ocidentais, além de lidar com um ambiente de consumo mais retraído no segmento de luxo.
Somam-se a isso desafios financeiros, incluindo dívidas relevantes com credores, o que aumenta a urgência por uma gestão mais eficiente e por estratégias capazes de recuperar competitividade.
Nesse contexto, a reformulação na liderança não é apenas simbólica, mas parte de um movimento mais amplo de tentativa de reestruturação. A expectativa é que a nova gestão consiga equilibrar a preservação da identidade criativa da grife com uma abordagem mais agressiva e adaptada às transformações do mercado global.