31 de julho de 2025
BRASIL

Mais de 40 mulheres denunciam médico por importunação sexual no RS: 'Estava com as calças abaixadas em cima de mim'

Cardiologista Daniel Kollet, de 55 anos, foi preso preventivamente após denúncias de abusos durante consultas e exames. Ex-funcionárias e pacientes relatam estupro, violação sexual mediante fraude e importunação

Por Redação
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Mais de 40 mulheres denunciaram o médico Daniel Kollet por importunação sexual durante consultas e exames - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Mais de 40 mulheres denunciaram o cardiologista Daniel Kollet, de 55 anos, por importunação sexual e estupro após sua prisão preventiva, no fim de março, em Taquara, no Rio Grande do Sul. As informações foram reveladas pela TV Globo. O médico, conhecido na região e considerado referência, foi preso dentro de seu próprio consultório. A polícia começou a investigar o caso após três pacientes apresentarem denúncias. Depois da prisão, outras 39 mulheres também procuraram as autoridades. Os relatos seguem um padrão: os abusos aconteciam no consultório ou em salas de exames, sempre sem testemunhas.

Segundo as investigações, o médico inicialmente demonstrava simpatia e atenção, usando elogios para se aproximar das pacientes. Com o tempo, o comportamento evoluía para os abusos. Há relatos graves de estupro e violação sexual mediante fraude. Uma paciente contou que o médico apagava as luzes e ficava sozinho com ela. Ele a agarrou por trás e tentou abrir suas calças, e ela não conseguiu reagir. “Eu me sinto culpada. Por que eu não reagi?”, afirmou. Outra denúncia partiu de uma enfermeira que trabalhou ao lado do médico. Ela disse que acordou durante um plantão com ele sobre seu corpo. “Ele estava com as calças abaixadas em cima de mim”, relatou.

Uma ex-funcionária também denunciou abusos: “Ele pegava minha mão à força e colocava dentro da calça dele”. Outra ex-funcionária disse que tentou avisar superiores sobre o comportamento do médico e acabou sendo demitida. Uma paciente de 75 anos começou a desconfiar e passou a ir acompanhada às consultas. Segundo ela, o tratamento do médico mudou completamente: ele sequer levantava da mesa para cumprimentá-la. A Polícia Civil acredita que o médico se aproveitava da vulnerabilidade das vítimas, muitas das quais nunca tinham ido a um cardiologista e não sabiam como os exames funcionavam, o que facilitava a transgressão dos limites.

O cardiologista foi indiciado por violação sexual mediante fraude e também é investigado por estupro e estupro de vulnerável. O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul abriu uma sindicância e, se as denúncias forem confirmadas, Kollet pode ter o registro profissional cassado, ficando impedido de exercer a medicina. A defesa do médico afirma que ele nega todos os crimes e entrou com pedido de liberdade, que está sob análise da Justiça.