31 de julho de 2025
movimentação

PT tenta atrair PSDB para chapa de Haddad ao governo de SP, mas aliança enfrenta resistências

Coordenador do movimento Prerrogativas e aliado de Haddad, Marco Aurélio de Carvalho confirmou a aproximação e disse ver a iniciativa com bons olhos

Por Redação
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Coordenador do movimento Prerrogativas e aliado de Haddad, Marco Aurélio de Carvalho confirmou a aproximação e disse ver a iniciativa com bons olhos - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Após levar o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) para a vice-presidência na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, o PT agora busca um movimento inédito em São Paulo: atrair o PSDB para apoiar a candidatura de Fernando Haddad ao governo do estado.

Segundo integrantes da direção nacional do PSDB ouvidos pelo Estadão, os petistas tentam abrir diálogo com o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra, pré-candidato tucano ao Palácio dos Bandeirantes. As conversas, no entanto, são consideradas de difícil costura por dirigentes tucanos.

Lideranças do PT na Câmara e no Senado também sondaram o partido sobre uma eventual filiação da ex-ministra Simone Tebet. As tratativas não avançaram, e Tebet trocou o MDB pelo PSB para disputar o Senado por São Paulo.

Coordenador do movimento Prerrogativas e aliado de Haddad, Marco Aurélio de Carvalho confirmou a aproximação e disse ver a iniciativa com bons olhos. "É induvidoso que Haddad quer construir uma frente ampla em São Paulo. O PSDB colaborou muito para a democracia do País. É um luxo para nós ter relação com suas lideranças", afirmou.

Reservadamente, um dirigente tucano afirmou não ver sentido em um apoio do PSDB ao PT, mas considera plausível que os petistas estimulem o partido a lançar candidatura própria — o que poderia pulverizar votos e favorecer um segundo turno. Para esse mesmo interlocutor, seria mais vantajoso ao PSDB ter candidato próprio do que apoiar Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador e pré-candidato à reeleição.

Mesmo que apoie Tarcísio, o PSDB ficará de fora da chapa do governador. A composição do Republicanos tem como vice Felício Ramuth (MDB), além de Guilherme Derrite (PP) e um nome do PL para o Senado.

Atualmente, a pré-campanha de Haddad conta apenas com partidos de esquerda. Além do PSDB, o petista tenta se aproximar do PSD de Gilberto Kassab, mas o dirigente já descartou a aliança e declarou apoio a Tarcísio.

Aliados do governador estranharam o movimento dos tucanos. No mês passado, Aécio Neves (presidente nacional do PSDB) e Paulo Serra se reuniram com Tarcísio e pediram ajuda para montar a chapa de deputados estaduais — o que foi interpretado no Palácio dos Bandeirantes como um sinal de alinhamento.

O PSDB está federado ao Cidadania, o que exige atuação conjunta. O deputado federal Alex Manente (Cidadania-SP), presidente nacional da legenda, afirmou que pedirá a Aécio para que o Cidadania comande a federação em São Paulo. "Por uma razão simples: nós temos dois deputados federais de São Paulo no Cidadania e nenhum do PSDB", disse Manente, que defende apoio à reeleição de Tarcísio.

Após quase 30 anos de hegemonia no governo paulista, o PSDB enfrenta uma sequência de derrotas no estado. O partido perdeu prefeitos, viu sua bancada na Assembleia Legislativa encolher de oito para um deputado na última janela partidária e foi esvaziado por migrações em massa para o PSD de Kassab.