Flávio Bolsonaro usa vídeo da miséria do governo do próprio pai para atacar Lula e é chamado de ‘cara de pau’ por ministro
Senador postou imagens de pessoas catando restos de comida em Fortaleza durante gestão de Jair Bolsonaro para criticar endividamento de famílias
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, tentou usar imagens de pessoas catando restos de comida no lixo para criticar o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O problema é que o vídeo foi gravado durante a gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em uma postagem no Instagram, o senador afirmou que o “alto grau de comprometimento com o pagamento de dívidas” impede as famílias de terem recursos para comprar comida. Para ilustrar o ataque, ele mostrou cenas de pessoas cercando um caminhão de lixo em busca de alimentos — imagens feitas em Fortaleza, capital do Ceará, em outubro de 2021, quando Jair Bolsonaro ainda era presidente.
A publicação veio acompanhada de uma manchete falsamente datada de março deste ano, atribuída ao jornal Diário do Nordeste, que originalmente noticiou o fato em 2021. “Isso representa comer menos, panela vazia. E quase 20% desses brasileiros não estão conseguindo pagar nem as contas de água e luz”, escreveu Flávio. O registro viralizou na época e foi feito por um motorista de aplicativo em frente a um supermercado no bairro nobre de Cocó, em Fortaleza. As imagens chocaram o país e se tornaram símbolo da fome e da desigualdade agravadas durante a gestão de Jair Bolsonaro.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (Psol), não poupou críticas. Em suas redes sociais, chamou o senador de “cara de pau” e cobrou retratação. “Flávio Bolsonaro usa imagens da miséria do governo do pai dele para atacar o governo Lula. As imagens são de Fortaleza, em 18/10/2021, ou seja, no governo Bolsonaro. E aí, Flávio Bolsonaro? Vai se retratar?”, escreveu Boulos. A postagem do senador permanece no ar até o momento, sem correção ou pedido de desculpas. O episódio expõe mais um capítulo da disputa eleitoral marcada pelo uso de informações fora de contexto e pela tentativa de transferir para o adversário os fracassos da própria gestão passada.