EUA iniciam bloqueio a portos do Irã após fracasso de negociações
Trump ordena interceptação de navios que pagaram pedágio a Teerã e ameaça "explodir" qualquer ameaça iraniana
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Os Estados Unidos iniciarão, nesta segunda-feira (13), um bloqueio naval a todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos e áreas costeiras do Irã, após as negociações do fim de semana em Islamabad não terem conseguido um acordo para encerrar a guerra. O bloqueio coloca em risco o frágil cessar-fogo de duas semanas que estava em vigor. As conversações, realizadas de sábado (11) a domingo (12), foram o primeiro encontro direto entre as duas nações em mais de uma década e as discussões de mais alto nível desde a Revolução Islâmica de 1979.
O presidente Donald Trump anunciou no domingo que as forças americanas também interceptarão todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã. "Ninguém que pagar um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar", escreveu Trump nas redes sociais, acrescentando com tom de ameaça: "Qualquer iraniano que atirar contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será EXPLODIDO PARA O INFERNO!" Ele também afirmou que a Marinha dos EUA começará a destruir as minas que os iranianos lançaram no Estreito de Ormuz, um ponto estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Em antecipação ao bloqueio, superpetroleiros já estavam evitando a hidrovia nesta segunda-feira. O preço do petróleo bruto disparou mais de 7% nas negociações da manhã na Ásia, ultrapassando os US$ 100 por barril, enquanto o dólar se valorizou e os futuros das ações americanas caíram. O Comando Central dos EUA afirmou que o bloqueio será aplicado "imparcialmente contra embarcações de todas as nações" que entrem ou saiam de portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. Navios com destino ou origem em portos não iranianos que transitam pelo Estreito de Ormuz não serão impedidos.
O Irã reagiu com dureza. A Guarda Revolucionária Islâmica alertou que embarcações militares que se aproximassem do estreito seriam consideradas violação do cessar-fogo e tratadas com "rigor e firmeza". Um funcionário americano afirmou que Teerã rejeitou as exigências de Washington: o fim de todo enriquecimento de urânio, o desmantelamento de instalações nucleares, a transferência de urânio altamente enriquecido, além de pedidos para cessar o financiamento ao Hamas, Hezbollah e Houthis e para abrir completamente o Estreito de Ormuz. A mídia iraniana informou que houve acordo em várias questões, mas o estreito e o programa nuclear foram os principais pontos de discórdia.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, criticou a postura americana: "Encontramos maximalismo, mudanças constantes de objetivos e bloqueio quando estávamos a um passo de um memorando de entendimento". Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã quer "um acordo equilibrado e justo". O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, ironizou os preços da gasolina nos EUA em publicação nas redes sociais: "Aproveitem os preços atuais. Com o tal 'bloqueio', logo sentirão saudades da gasolina a 4 ou 5 dólares."
Trump, em entrevista à Fox News, disse acreditar que o Irã continuará negociando, classificando as discussões como "muito amistosas". No entanto, horas depois, declarou que não se importava se o Irã "desesperado" voltasse à mesa: "Se eles não voltarem, tudo bem para mim".