Fim de uma era: Hungria elege oposição e Orbán reconhece derrota após 16 anos no poder
Péter Magyar vence com maioria de dois terços em eleição histórica com recorde de participação
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As pesquisas se confirmaram, e o líder da oposição, Péter Magyar, venceu uma das eleições mais disputadas da história da Hungria. Com uma participação recorde de quase 80% dos eleitores, o candidato do partido Tisza obteve 45,7% dos votos e deve conquistar a maioria de dois terços no Parlamento. As urnas foram fechadas às 19h no horário local, e apenas uma hora e meia depois, o atual primeiro-ministro, Viktor Orbán, reconheceu publicamente a derrota, afirmando que o resultado era "claro" e que era doloroso para o seu partido, o Fidesz.
Orbán, que estava há 16 anos no poder e à beira de um quinto mandato, é um velho aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e também mantém laços estreitos com o Kremlin. Durante seu governo, foi acusado pela União Europeia de minar a democracia na Hungria e de tentar bloquear o apoio europeu, tanto militar quanto financeiro, à Ucrânia após a invasão russa de 2022. Diante da derrota, ele felicitou o partido vencedor e admitiu que o resultado é "doloroso" para o Fidesz.
Péter Magyar, de 45 anos, advogado e presidente do Partido Tisza, fez uma campanha centrada na promessa de "mudança de sistema". Ele garantiu que vai combater a corrupção, reaproximar a Hungria da Europa e reverter as polêmicas reformas da era Orbán. Em seu discurso após o fechamento das urnas, Magyar descreveu a eleição como "um dia histórico", agradeceu aos eleitores pelo comparecimento recorde e afirmou que os dados mostram que a compra de votos foi menos eficaz do que em pleitos anteriores. Ele também pediu calma e paz a seus apoiadores, descartando a possibilidade de agitação violenta levantada pelo Fidesz como "uma alucinação".
Cerca de oito milhões de eleitores foram às urnas neste domingo para escolher um novo Parlamento e um novo primeiro-ministro. A vitória de Magyar representa um duro revés para Orbán, que governava o país desde 2010. O novo líder já é deputado do Parlamento Europeu desde 2024, integrando o grupo do Partido Popular Europeu, e agora acumulará a presidência do Tisza com o comando do governo húngaro. Sua agenda promete uma guinada na política externa do país, com reaproximação das instituições europeias e combate interno à corrupção, uma das principais bandeiras de sua campanha. A transição de poder marca o fim de uma era na Hungria e deve repercutir em todo o bloco europeu.