31 de julho de 2025
CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Irã e EUA não chegam a acordo após 21 horas de negociações no Paquistão; Trump ordena bloqueio no Estreito de Ormuz

Vice-presidente americano disse que iranianos rejeitaram os termos dos Estados Unidos; líder iraniano afirma que não confia no Ocidente

Por Redação
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. - Foto: Reprodução

As delegações do Irã e dos Estados Unidos se reuniram em Islamabad, a capital do Paquistão, mas depois de longas 21 horas de conversas não conseguiram chegar a um acordo de paz. O clima de tensão entre os dois países continua elevado, e a falta de entendimento trouxe novas ameaças por parte do governo americano.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, deixou o local das negociações afirmando que os iranianos optaram por não aceitar os termos propostos por Washington. "Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não vão criar uma arma nuclear e nem buscar ferramentas que permitam o desenvolvimento rápido dessa arma. Esse é o objetivo central do presidente dos EUA e foi isso que tentamos conseguir nessas negociações", declarou Vance à imprensa antes de retornar a Washington.

Do lado iraniano, a desconfiança em relação aos americanos foi o principal obstáculo. O líder da delegação do Irã, o chefe do Parlamento Mohammad-Bagher Ghalibaf, enfatizou que os iranianos tinham boa vontade para negociar, mas, devido às experiências de duas agressões anteriores dos Estados Unidos e de Israel contra o país persa, simplesmente não confiavam no lado oposto. "Apresentamos iniciativas promissoras, mas o lado oposto não conseguiu conquistar nossa confiança nesta rodada", escreveu Ghalibaf em uma rede social. Ele ainda acrescentou: "Não vamos cessar nossos esforços por nenhum momento para consolidar nossas conquistas nesses 40 dias de defesa nacional".

O Irã sempre defendeu o direito de manter seu programa nuclear para fins pacíficos e acusa os EUA de usar essa questão como pretexto para impor uma mudança de regime no país. Teerã nega qualquer intenção de desenvolver uma bomba atômica.

Estreito de Ormuz: o ponto central da discórdia

Após o fracasso das negociações, o presidente dos EUA, Donald Trump, endureceu o discurso. Ele afirmou que, como o Irã não estaria disposto a abrir mão de suas ambições nucleares, a Marinha americana vai impedir a passagem pelo Estreito de Ormuz, a via marítima mais importante do mundo para o transporte de petróleo. Cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta passa por ali.

"Também instruí nossa Marinha a buscar e interceptar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã. Ninguém que pagar um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar. Também começaremos a destruir as minas que os iranianos colocaram no Estreito", afirmou Trump.

O estreito foi fechado pelo Irã em resposta a uma agressão sofrida pelos EUA e por Israel no dia 28 de fevereiro. Trump já havia ameaçado um genocídio contra os iranianos caso eles não permitissem a passagem livre, mas uma trégua frágil de duas semanas foi anunciada. Agora, com o impasse nas negociações, a crise volta a se intensificar.

O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, vem afirmando que a gestão do Estreito de Ormuz terá novas regras daqui para frente e que a via não voltará ao status que tinha antes da guerra. Ou seja, os iranianos pretendem manter o controle e cobrar pedágio das embarcações que passarem pelo local.

O que foi discutido e o que fica para depois

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, as negociações em Islamabad abordaram pontos como o controle do Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano, indenizações de guerra, o levantamento de sanções e o fim completo da guerra contra o Irã e na região. "Era natural que tais questões não pudessem ser resolvidas em quase 24 horas de negociações", disse Baqaei à agência Irna. Ele confirmou que persistiram divergências relacionadas ao Estreito e a questões regionais.

Com o fim da rodada sem acordo, a tensão no Oriente Médio continua em alta, e o mundo acompanha com atenção os próximos passos de Washington e Teerã. A possibilidade de um conflito aberto na região volta a preocupar governos e mercados internacionais, especialmente pelo impacto que um bloqueio no Estreito de Ormuz teria nos preços do petróleo e na economia global.