31 de julho de 2025
vaticano

Papa Leão XIV faz apelo contundente contra a "loucura da guerra" em meio a negociações entre EUA e Irã

Pontífice norte-americano condenou o uso da fé para justificar conflitos e pediu diálogo em vez de rearmamento

Por Redação
Publicado em
Papa Leão XIV fez um apelo direto aos líderes mundiais - Foto: Reprodução/Vatican News

O papa Leão XIV fez um vigoroso apelo aos líderes mundiais neste sábado (11) para que coloquem um fim imediato ao que ele classificou como "loucura da guerra". A fala ocorre em um momento crítico: as principais autoridades dos Estados Unidos e do Irã se reúnem no Paquistão para discutir a cessação de um conflito que já dura seis semanas. Durante uma vigília especial de oração na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o primeiro pontífice norte-americano da história condenou duramente o uso de linguagem religiosa para justificar ações bélicas. "A ilusão de onipotência que cerca o mundo está se tornando cada vez mais imprevisível", alertou.

Em um discurso direto e sem rodeios, Leão XIV convocou os líderes globais a abandonarem a lógica armamentista. "Parem! É hora da paz! Sentem-se à mesa do diálogo e da mediação, não à mesa onde se planeja o rearmamento", declarou. Conhecido por medir cuidadosamente as palavras, o papa tem se consolidado como um crítico declarado da guerra contra o Irã. Neste sábado, ele foi além e usou uma linguagem especialmente vigorosa, citando cartas enviadas por crianças que vivem em zonas de conflito. Segundo ele, os relatos descrevem cenas de "horror e desumanidade", o que reforça a urgência de uma solução negociada.

O pontífice também resgatou a memória institucional da Igreja ao fazer referência à forte oposição da Santa Sé à invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos em 2003. Ele citou um apelo do falecido papa João Paulo II, feito apenas quatro dias antes do início daquele conflito, como um exemplo a ser seguido. "Chega da idolatria do eu e do dinheiro! Chega de exibição de poder! Chega de guerra!", bradou Leão XIV, em um tom de crescente indignação. As frases curtas e incisivas ecoaram entre os fiéis presentes na basílica e rapidamente ganharam as redes sociais e os noticiários ao redor do mundo.

O papa voltou a denunciar o uso deturpado da fé cristã para justificar a violência. No dia 30 de março, ele já havia afirmado que Deus rejeita as orações de líderes que iniciam guerras e têm as "mãos cheias de sangue". Neste sábado, a mensagem foi reforçada. "O equilíbrio dentro da família humana foi severamente desestabilizado", disse Leão. "Até mesmo o santo Nome de Deus, o Deus da vida, está sendo arrastado para discursos de morte." A fala foi interpretada por comentaristas católicos conservadores como uma crítica indireta, mas clara, ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que invocou a linguagem cristã para justificar os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã. O serviço especial de oração deste sábado havia sido anunciado pelo próprio papa na mensagem de Páscoa do último domingo.