31 de julho de 2025
denúncia

Paciente tem parte das nádegas amputada após suposta negligência em hospital do DF

José Marques Barbosa, de 62 anos, teria desenvolvido lesão grave por ficar imóvel por longos períodos

Por Redação
Publicado em
José Marques Barbosa, de 62 anos - Foto: Material cedido ao portal Metrópoles

A família de José Marques Barbosa, de 62 anos, vive um pesadelo após ele ter parte das nádegas amputada no Hospital Regional de Sobradinho (HRS), no Distrito Federal. Segundo os parentes, a lesão que levou à amputação teria sido causada por ele ter permanecido deitado por muito tempo na mesma posição enquanto estava internado no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), o que contrariaria os protocolos de prevenção a feridas por pressão. O caso veio a público nesta semana e reacende o debate sobre a qualidade da assistência hospitalar e os riscos enfrentados por pacientes com mobilidade reduzida.

Ilton Costa Marques, de 37 anos, filho de José, relatou que o estado de saúde do pai é grave e que a cena da amputação foi chocante. “Tiraram grande parte das nádegas do meu pai. E não tem como tirar de outro lugar do corpo dele, porque ele está muito desnutrido. Meu pai pesava 65 kg. Hoje está com menos de 55 kg. Ele está muito magro. Quando vi o local da amputação, quase caí para trás. Fiquei muito triste”, desabafou. Segundo Ilton, o pai precisa de medicação diária apenas para suportar as dores pós-cirúrgicas. “Sem os remédios, ele não vai aguentar. É dor demais”, afirmou. A família já registrou boletim de ocorrência e cogita entrar na Justiça por reparação.

Para os familiares, José Marques foi vítima de negligência médica ainda em janeiro de 2026, quando deu entrada no Hospital de Base após ser atropelado por uma moto. Inicialmente, ele teve traumatismo craniano, fraturas na clavícula e em três costelas. Mesmo assim, recebeu alta em 3 de fevereiro, sem prescrição adequada de remédios, segundo a família. Dias depois, passou mal, foi levado a uma UPA e diagnosticado com pneumonia grave e plaquetas baixíssimas. Retornou ao Base, onde, de acordo com os parentes, houve até perda temporária do prontuário. Após pressão da família e intervenção do Ministério Público, ele conseguiu transferência para o HRS. Foi lá que os médicos identificaram a necessidade de amputar parte das nádegas.

“Foi negligência. Se tivessem cuidado do meu pai da forma como ele chegou ao Base, ele não estaria assim”, criticou Ilton. Ele afirmou que os profissionais do HRS estranharam o fato de o paciente ter ficado tanto tempo na mesma posição, sem as manobras padrão de mudança de decúbito. “Era para ter feito as manobras, virá-lo e fazer exercícios. É o procedimento padrão. Não entenderam por que não o fizeram no Base. As nádegas estavam muito lesionadas”, disse. Atualmente, José Marques foi remanejado para o Hospital Regional de Samambaia (HRSam), onde segue sem previsão de alta, correndo risco de morte devido a uma infecção bacteriana, além de apresentar confusão mental e perda de memória.

Em nota, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), responsável pelo Hospital de Base, negou negligência. A instituição afirmou que o paciente recebeu alta sem sinais de infecção e que não houve perda de prontuário. Sobre a lesão, o IgesDF admitiu que ele desenvolveu uma lesão por pressão em região sacral, classificada como grau II, mas garantiu que a situação foi prontamente identificada e tratada com curativos e mudanças de posição. O instituto ressaltou que pacientes graves com mobilidade reduzida apresentam risco elevado para esse tipo de lesão, mesmo com a adoção rigorosa de protocolos. O IgesDF também negou que tenha havido qualquer procedimento cirúrgico nas nádegas durante a internação no Base.

A Secretaria de Saúde do DF confirmou apenas a internação no HRSam, sem detalhar o estado atual do paciente.