31 de julho de 2025
eleições

Peru vai às urnas neste domingo (12) com 35 candidatos

Keiko Fujimori lidera pesquisas com pequena vantagem, mas cenário fragmentado aponta para segundo turno em junho; país viveu oito presidentes em quase uma década

Por Redação
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Peruanos vão às urnas neste domingo (12/4) - Foto: Freepik

Os peruanos vão às urnas neste domingo (12/4) para escolher um novo presidente, definir a composição dos 130 assentos da Câmara Federal e, pela primeira vez em 30 anos, eleger um recém-recriado Senado com 60 cadeiras. Dos 31 milhões de habitantes do país, cerca de 27 milhões estão aptos a votar. As pesquisas apontam que a candidata de direita Keiko Fujimori – filha do ex-ditador Alberto Fujimori – lidera com pequena vantagem, seguida de perto por pelo menos três adversários: o ultraconservador Rafael López, o empresário de mídia Ricardo Belmont – ambos ex-prefeitos de Lima – e o ex-comediante Carlos Álvarez. No entanto, num cenário congestionado, nenhum deles ultrapassa os 15% das intenções de voto, o que praticamente confirma um segundo turno em 7 de junho.

Há um recorde de 35 candidatos, o que gera muitas dúvidas entre os eleitores. “Eu vi a cédula e, sinceramente, me deu dor de cabeça”, desabafou a comerciante Marlene Jimenez. As pesquisas também indicam que 13% dos eleitores estão indecisos, o que faz com que um “segundo escalão” de candidatos – mesmo aqueles com cerca de 5% das intenções de voto – não possa ser ignorado, segundo Nicolas Watson, da consultoria Teneo.

O combate à corrupção é um dos temas centrais da campanha. Atualmente, quatro ex-presidentes estão presos: Alejandro Toledo (acusado de lavagem de dinheiro), Pedro Castillo (tentativa de golpe de Estado), Ollanta Humala (corrupção) e Martín Vizcarra (corrupção). Antes deles, Alberto Fujimori cumpriu 16 anos de prisão por violações de direitos humanos e morreu em 9 de novembro de 2024, após ser libertado por razões humanitárias. Além deles, o ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski chegou a ser detido. Um sétimo, Alan Garcia, cometeu suicídio em 2019 quando estava prestes a ser preso em sua residência.

Nesta campanha, porém, a criminalidade rivaliza – e em muitos casos até supera – a corrupção como principal preocupação dos eleitores. Nos últimos anos, o Peru, que não era tradicionalmente associado a ondas de violência como países vizinhos, viu os homicídios e os casos de extorsão aumentarem drasticamente, afetando principalmente trabalhadores do setor de transportes e pequenos empresários, segundo a professora Paula Muñoz, da Universidade do Pacífico, em Lima. Dados oficiais mostram que os casos de extorsão cresceram quase 20% somente no ano passado, e as taxas de homicídio atingiram novos recordes.

Essas estatísticas aumentaram o apoio a respostas mais duras e populistas, reiterando uma tendência atual da América Latina, onde o crime é visto como melhor combatido – ao menos teoricamente – por líderes radicais, a exemplo do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Alguns candidatos propõem o envio de tropas para as ruas das cidades mais violentas, o retorno da pena de morte, a saída de tribunais internacionais de direitos humanos e a permissão para que magistrados que julgam casos criminais fiquem anônimos – o que traria de volta os chamados “juízes sem rosto”, prática abolida no Peru em 1997.

O Peru vive um quadro de instabilidade política há quase uma década: nesse período, teve oito presidentes, e nenhum chefe de Estado conseguiu concluir o mandato. Em 2021, o enfraquecimento de parte do establishment envolvido em acusações de corrupção abriu caminho para a eleição do populista Pedro Castillo, que foi removido do cargo pela Câmara em 2022 na esteira de uma tentativa de autogolpe. Sua sucessora, Dina Boluarte, chegou a figurar entre as líderes mais impopulares do mundo, com apenas 2% de aprovação, e foi removida do cargo em outubro. Seu sucessor, José Jeri, sofreu impeachment em fevereiro deste ano. Desde o fim da ditadura militar no Peru, em 1980, apenas quatro dos 11 políticos que cumpriram mandatos na Presidência não enfrentaram problemas com a Justiça após deixarem o cargo. Essas eleições, no entanto, podem tanto marcar uma ruptura com o ciclo de instabilidade quanto “nos manter presos nele”, resume o analista político Fernando Tuesta.