31 de julho de 2025
eleições

Peru encerra campanha com discursos radicais e recorde de 35 candidatos

Eleição acontece neste domingo (12); cenário fragmentado indica segundo turno em junho

Por Redação
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Eleição acontece neste domingo (12); cenário fragmentado indica segundo turno em junho - Foto: Agência Lusa

A campanha eleitoral para a presidência do Peru chegou ao fim nesta quinta-feira (10) marcada por discursos cada vez mais radicais dos principais candidatos. No domingo (12), os peruanos irão às urnas em um cenário inédito: 35 candidatos concorrem ao cargo — um recorde na história do país. Nenhum deles, no entanto, está perto de garantir os 50% dos votos necessários para vencer no primeiro turno, o que torna praticamente certo um segundo turno em junho.

O pleito acontece em meio ao cansaço generalizado da população com a violência descontrolada e uma crise política crônica que resultou na posse de oito presidentes em apenas dez anos. Nesse ambiente de descontentamento, os pretendentes à chefia do Executivo endureceram o tom, especialmente nas promessas de combate ao crime — frequentemente associado, em seus discursos, à imigração irregular.

As pesquisas mais recentes apontam vantagem para Keiko Fujimori, líder da direita e filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), que governou o país com mão de ferro e hoje cumpre pena por corrupção e violações de direitos humanos. Keiko, que concorre pela quarta vez ao Palácio de Pizarro, tem feito campanha com frequentes referências ao legado paterno.

“Por onde passamos, há lembranças, memórias e gratidão pelo melhor presidente que o Peru já teve: Alberto Fujimori”, disse a candidata durante comício em um complexo esportivo na zona sul de Lima. Centenas de militantes agitaram bandeiras laranjas — as cores de seu partido, Força Popular — e entoaram “Chino, Chino”, apelido do ex-mandatário, que era descendente de japoneses.

Entre as propostas de Keiko estão o controle rigoroso das fronteiras para conter a imigração irregular e a exigência de que presos trabalhem em troca de alimentação.

“Todos os dias temos mortes. Queremos dar a uma mulher a oportunidade de assumir o comando neste caos”, disse a artesã Silvia Arenas, de 37 anos, eleitora da candidata.

Disputa acirrada pelo segundo lugar


A briga pelo segundo turno — e pela vaga na segunda rodada — envolve ao menos quatro nomes. As pesquisas indicam empate técnico entre o humorista Carlos Álvarez, o ultraconservador Rafael López Aliaga, o centrista Ricardo Belmont e o representante de esquerda Roberto Sánchez.

“O cenário eleitoral deste ano está fragmentado: nenhum candidato tem uma vantagem convincente e uma parcela significativa do eleitorado permanece indecisa”, observa Nicolas Saldias, cientista político da Economist Intelligence Unit.

Rafael López Aliaga, de 65 anos, apelidado de "Porquinho" por seus opositores, é um dos nomes mais radicais da disputa. Membro da direita cristã, ele promete expulsar imigrantes irregulares e enviar criminosos para prisões isoladas na floresta peruana.

“Qualquer venezuelano que esteja em situação irregular no Peru deve ir embora, deve retornar à Venezuela”, declarou em seu último comício, nas proximidades do centro de Lima. A fala foi aplaudida por apoiadores como Alex Huaman, de 49 anos: “Ele trará as mudanças que o Peru precisa”.

Humorista outsider propõe volta da pena de morte

Já Carlos Álvarez, de 62 anos, construiu sua campanha sob a imagem de "outsider" da política peruana. Conhecido por sua carreira no humor, ele tem adotado propostas de extrema direita para conquistar eleitores descontentes com o sistema tradicional.

“Queremos um país com melhor educação, com segurança, sem criminosos”, declarou Álvarez, que defende a volta da pena de morte no Peru — uma medida que exigiria mudança constitucional e é rejeitada por organismos internacionais de direitos humanos.

O que esperar do domingo

Com 35 candidatos na disputa e um eleitorado fragmentado e desiludido, a eleição peruana promete ser uma das mais imprevisíveis da história recente da América Latina. A expectativa é que o segundo turno, marcado para 12 de junho, concentre as forças em torno de um confronto entre a direita fujimorista e um dos demais postulantes — a depender do desempenho nas urnas.