Servidor do TST é acusado de importunação sexual contra aluna de 16 anos: "Vai dar merda"
Professor particular de matemática foi afastado do cargo e teve porte de arma retirado após gravação de 20 minutos revelar coação psicológica e toques invasivos
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"Eu queria pedir pro senhor, pra na próxima aula, o senhor sentar aqui, e eu sentar ali. Eu nunca te dei essa ousadia, assim, do senhor ficar pegando na minha coxa, o senhor ficar pegando o meu pescoço." O desabafo, carregado de nervosismo contido, abre a gravação de quase 20 minutos que se tornou a prova central de um escândalo que abalou o Judiciário e o setor educacional na capital da República. No áudio, a voz de uma adolescente de 16 anos confronta o homem que deveria ser seu mentor: Elmer Catarino Fraga, de 63 anos, servidor do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e professor particular de matemática.
O material, gravado pela estudante durante uma aula em Águas Claras, no Distrito Federal, revela não apenas a importunação sexual, mas um sistemático processo de coação psicológica. Diante da resistência da jovem, o tom do servidor alterna entre vitimismo e ameaça velada. "Se você falar com a sua avó que falou comigo, esse negócio não vai prestar, vai dar merda. Vai desenvolver uma coisa tão complicada… pode ser até uma coisa mais desagradável", sentencia o homem, sem saber que estava sendo gravado. O áudio traz à tona detalhes do esforço do servidor para evitar que o pai da vítima soubesse dos "toques invasivos".
Em diversos trechos, ele implora para que a menina jure por entes queridos que manterá segredo, tentando convencê-la de que os abusos foram "alucinação" ou "falta de intenção". "Você jura pela alma da sua mãe? Você fala que eu sentei aqui e você sentou lá e que não era bem aquilo que você estava imaginando. Você faz isso comigo?", questiona o professor, tentando transferir a culpa e a responsabilidade do ocorrido para a adolescente. A gravidade da situação atinge o ápice quando o suspeito evoca o medo da morte para garantir o silêncio. Ele afirma categoricamente que a denúncia poderia ter um fim violento: "A palavra, minha filha, assim como você pode transformar isso numa tragédia, a gente pode terminar sem tragédia".
O desdobramento do caso, que ganhou força após revelações publicadas pela coluna Na Mira, resultou em medidas imediatas por parte das autoridades e do órgão onde Elmer Catarino Fraga trabalha. O TST, ao tomar conhecimento da robustez das provas — incluindo o áudio em que o servidor admite ter "mania de pegar nos outros" —, determinou o afastamento imediato do técnico judiciário. Além do afastamento administrativo, o impacto das denúncias levou a uma decisão preventiva crucial: a retirada do porte de arma do servidor, medida vista como necessária diante do teor das ameaças gravadas. Na avaliação do pai da jovem, a gravação de 20 minutos é um "divisor de águas".
No áudio, o servidor chega a admitir a própria conduta ao pedir desculpas: "Me desculpa se eu agi errado… se eu, porventura, errei em alguma coisa, foi totalmente sem intenção". A defesa do acusado ainda não se manifestou sobre os novos trechos revelados. Enquanto isso, a família da adolescente reforça que a divulgação dos áudios serve de alerta. Para a vítima, que encerra a gravação aceitando uma falsa trégua apenas para conseguir sair em segurança da sala, a "tragédia" que o professor tanto mencionava foi evitada pela sua própria coragem de apertar o botão "gravar".