Frigorífico de Goiás é processado por R$ 500 mil por publicidade contra petistas
Estabelecimento já foi condenado por cartaz que dizia "Petista aqui não é bem-vindo" e agora responde por anúncios como "Picanha de Petista" e vídeo com arma na cintura
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Um frigorífico de Goiás está sendo processado por suposta publicidade discriminatória contra petistas. O Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec-GO) entrou com uma ação pedindo indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos, alegando que o estabelecimento exclui clientes com base em convicção político-partidária.
O frigorífico, que já ficou conhecido por fazer anúncios de "direita", tem um histórico de polêmicas. No fim do ano passado, um cartaz com a frase "Petista aqui não é bem-vindo" gerou denúncia ao Ministério Público de Goiás. Em fevereiro deste ano, a empresa foi condenada a pagar R$ 130 mil por publicidade discriminatória. Depois disso, o cartaz foi substituído por outro que dizia: "Ladrão aqui não é bem-vindo. Quem apoia ladrão também não".
A nova ação, protocolada no dia 18 de março, cita outras publicações discriminatórias. Entre elas, um anúncio de "Picanha de Petista" e uma promoção de camarão com a frase: "Camarão GG, maior que cérebro de petista". A ação também menciona um vídeo em que uma pessoa aparece com uma arma na cintura dentro do frigorífico, usando uma camiseta vermelha.
Segundo o Ibedec, "tal publicidade não se caracteriza como mera manifestação de opinião, mas sim como uma estratégia comercial deliberada que utiliza conteúdo discriminatório para segmentação de mercado". O instituto pediu a retirada imediata do conteúdo das redes sociais, sob pena de multa de R$ 10 mil, além da indenização de R$ 500 mil.
A juíza Viviane Atallah, no entanto, não acolheu o pedido de urgência. Ela argumentou que o autor da ação não indicou os links específicos dos posts que deveriam ser retirados. Além disso, a magistrada afirmou que não é possível comprovar a autenticidade das imagens apenas com prints, já que podem ter sido produzidas por inteligência artificial. Ela deu 15 dias para que o instituto apresente os links e um laudo técnico que ateste a veracidade do material.
O influenciador Danilo Faria, que aparece no vídeo com a arma na cintura, reagiu à ação nas redes sociais. Ele disse estar indignado e afirmou: "R$ 500 mil por se posicionar? Ele que é o proprietário do negócio, deveria ter o direito de receber quem ele quiser no comércio dele". O frigorífico, por meio de sua defesa, informou que ainda não foi notificado formalmente e que, quando for, adotará as medidas cabíveis.