31 de julho de 2025
JUSTIÇA

Após 12 anos, julgamento da mandante do assassinato de Quitéria Pinheiro ocorre nesta quinta (9) em Maceió

Mãe do sobrinho que contratou executor é acusada de encomendar a morte da própria irmã. Vítima foi morta com cinco tiros, quatro nas costas e um na nuca

Por Redação
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Julgamento irá ocorrer no Fórum do Barro Duro. - Foto: Assessoria

Passados 12 anos do julgamento dos autores materiais do assassinato de Quitéria Maria Lins Pinheiro, a autora intelectual do crime será levada a júri popular nesta quinta-feira (9), no Salão do Júri da 7ª Vara Criminal da Capital, em Maceió. O julgamento acontece após o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) acolher recurso do Ministério Público (MPAL) e determinar uma nova sessão.

Quitéria, funcionária pública de 54 anos, foi assassinada na noite de 12 de agosto de 2012, dentro de sua casa no bairro Gruta de Lourdes, em Maceió. Ela levou cinco tiros, sendo quatro nas costas e um na nuca – o que caracteriza extrema crueldade e impossibilidade de defesa. Os executores foram Klinger Lins Pinheiro Dias Gomes (sobrinho da vítima) e Mustafá Rodrigues do Nascimento (amigo de Klinger). Ambos foram condenados a penas de 20 anos e 10 meses (Klinger) e 21 anos (Mustafá).

A mãe de Klinger – que é irmã da vítima – é apontada como a mandante do crime. De acordo com a investigação, a motivação teria sido uma dívida de R$ 5 mil que ela contraiu com a irmã. Klinger confessou ao delegado que contratou Mustafá por R$ 1.500 para matar a tia. A versão da defesa, de que Klinger teria ido à casa da tia para pagar o débito com cheques e que uma discussão teria levado ao homicídio, foi rejeitada pelas investigações. A polícia confirmou que o modus operandi (contratação do executor, chegada à casa e execução) foi montado por Klinger a mando de sua mãe.

Em sessão anterior, o Conselho de Sentença reconheceu a ré como mandante do crime, mas a absolveu por clemência – mesmo sem que a própria defesa tivesse pedido esse benefício. O Ministério Público recorreu, alegando que a decisão foi “manifestamente contrária às provas dos autos”. O TJAL acolheu o recurso e determinou um novo julgamento.

O promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, que fará a acusação, afirmou: “O Ministério Público entendeu que a decisão dos jurados foi manifestamente contrária às provas dos autos, uma vez que reconheceram ter sido a ré a mandante do crime, no entanto, a absolveram por clemência sem que a própria defesa, em plenário do júri, tivesse feito o pedido de clemência ao Conselho de Sentença. Tal postura levou o Ministério Público a contestar, principalmente pela gravidade, sendo a ré irmã da vítima e, pelos relatos colhidos, sempre se dispunha, enquanto irmã mais velha, a ajudar a mesma. O que queremos é que pague pela crueldade planejada e executada que culminou na morte da senhora Quitéria, assassinada pelas costas, em ato covarde que teve acompanhamento e suporte in loco, pelo sobrinho e filho da ré, que à época confessou o crime e o motivo torpe. Estaremos lá em defesa da vida da vítima e para mostrar à sociedade que o tempo não estanca a luta por justiça – já tivemos casos em que os crimes tinham mais de 25 anos cujos resultados foram condenações.”