31 de julho de 2025
MEIO AMBIENTE

Só 5% do lixo doméstico é reaproveitado no Brasil; estudo quer transformar resíduos em matéria-prima

Projeto financiado pela Finep faz o mais completo diagnóstico do país sobre resíduos urbanos. Gravimetria mostra que mais da metade do descarte é alimento

Por Redação
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Estudo quer mostrar potencial de aproveitamento de resíduos no país - Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

O Brasil gera 215 mil toneladas de resíduos domésticos por dia, mas apenas 5% desse total é reaproveitado. O restante – cerca de 95% – vai para aterros sanitários e lixões, sem qualquer aproveitamento econômico ou ambiental. Para mudar esse cenário, um estudo contratado pela Marquise Ambiental (empresa de soluções ambientais) está realizando o diagnóstico mais completo já feito no país sobre o potencial de transformação desses resíduos em matéria-prima para a indústria.

A pesquisa recebeu crédito do Fundo Nacional para o Desenvolvimento Científico Tecnológico (FNDCT) , por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) . O estudo é considerado estratégico porque, além de mapear a composição dos resíduos, também investiga a demanda real por cada tipo de material – ou seja, o que já tem mercado, quem são os compradores e o que ainda pode ser incluído na economia circular.

“Reaproveitar tanta matéria-prima é muito mais do que uma necessidade ambiental, é uma necessidade real de não desperdiçar”, afirma Hugo Nery, diretor-presidente da Marquise Ambiental.

O que a primeira fase do estudo revelou
A etapa inicial, chamada de gravimetria (análise da composição dos resíduos), coletou amostras em diferentes cidades brasileiras. O resultado foi surpreendente:

  • - Mais de 50% do que é descartado é alimento (restos de comida, cascas, etc.).
  • - 13% é plástico
  • - 17% é papel/papelão
  • - 9% é vidro
  • - O restante corresponde a outros materiais.

Essa composição, segundo Hugo Nery, é comum em todo o Brasil. No entanto, conhecer apenas a composição não basta. “A pesquisa vai nos mostrar também quais desses produtos hoje já têm mercado definido. Como esse mercado funciona? Quem são os participantes? E o que a gente ainda pode incluir na economia?”, explica o empresário.

R$ 84 milhões em dois projetos
A Finep concedeu R$ 84 milhões em crédito para dois projetos da Marquise Ambiental:

  1. estudo de diagnóstico (com previsão de conclusão em setembro de 2026).
  2. Um Centro de Tratamento e Transformação de Resíduos (CTTR) na cidade de Aquiraz (CE) , a cerca de 30 km de Fortaleza.

No CTTR, serão implantadas tecnologias de compostagemtratamento de chorume (produção de água destilada), triagem e separação de resíduos. O objetivo é transformar o lixo em produtos de valor agregado, gerando emprego e renda na região.

Seleção rigorosa
Os projetos financiados pela Finep passam por um processo criterioso de seleção, que avalia a capacidade de endividamento da empresa, o potencial de inovação, o avanço tecnológico e os benefícios socioambientais. “É uma dotação que, este ano, está estimada em R$ 30 bilhões, exclusivamente para projetos de ciência, tecnologia e inovação”, explica Paulo José Resende, gerente de Transição Energética da Finep.

Recursos não reembolsáveis: programa Mais Inovação Brasil
Além do crédito, a Finep oferece outra linha de financiamento – por meio do programa Mais Inovação Brasil – com recursos não reembolsáveis (ou seja, fundo perdido). Esses recursos são destinados a projetos de inovação que ainda não têm 100% de segurança de funcionamento (tecnologias mais ousadas). “É o recurso mais nobre que o governo brasileiro oferece às empresas para desenvolverem tecnologia”, afirma Resende.

segunda rodada do Mais Inovação Brasil está aberta até 31 de agosto de 2026, com a oferta de R$ 150 milhões. Para participar, é necessário fazer um cadastro online na Finep. De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), serão ofertados R$ 108 bilhões por meio do programa.