Governo atualiza ‘lista suja’ do trabalho escravo com 169 novos empregadores; Amado Batista e BYD são incluídos
Cantor e montadora chinesa de carros elétricos entraram no cadastro após resgate de trabalhadores em condições degradantes. Ao todo, 2.247 pessoas foram resgatadas entre 2020 e 2025
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O governo federal atualizou, nesta segunda-feira (6), a chamada “lista suja” do trabalho escravo – um cadastro público que reúne os nomes de empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. Foram adicionados 169 novos empregadores, sendo 102 pessoas físicas (patrões) e 67 pessoas jurídicas (empresas). Com isso, o total de empregadores listados chegou a cerca de 613.
Entre os novos nomes incluídos estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa de carros elétricos BYD. A atualização também excluiu 225 empregadores que completaram os dois anos de permanência obrigatória no cadastro.
Os casos incluídos ocorreram entre 2020 e 2025, em 22 estados brasileiros, e resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situação de exploração. As atividades econômicas com maior número de empregadores na lista foram: serviços domésticos (23), criação de bovinos para corte (18), cultivo de café (12), construção de edifícios (10) e serviços de preparação de terreno (6).
Caso BYD: trabalhadores chineses em alojamentos precários
A BYD entrou na lista após o resgate de 220 trabalhadores chineses em dezembro de 2024, na construção de sua fábrica em Camaçari (BA). Segundo as autoridades, os trabalhadores viviam amontoados em alojamentos sem condições adequadas de higiene, eram vigiados por seguranças armados, tinham passaportes retidos e cumpriam jornadas exaustivas, sem descanso semanal. A empresa afirmou que a irregularidade foi cometida por uma construtora terceirizada e que rescindiu o contrato com ela. Em 2025, a BYD firmou um acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho da Bahia.
Caso Amado Batista: duas propriedades em Goiás
O cantor Amado Batista aparece em duas autuações em Goianápolis (GO): uma no Sítio Esperança (10 trabalhadores) e outra no Sítio Recanto da Mata (4 trabalhadores). A assessoria do artista negou que tenha havido resgate de trabalhadores, afirmando que as irregularidades apontadas (relacionadas a moradia e áreas de convivência) foram corrigidas e que todos os funcionários estão registrados. A defesa informou que um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) foi firmado com o MPT.
Como funciona a ‘lista suja’?
Criada em 2004, a lista é divulgada semestralmente pelo Ministério do Trabalho. Os nomes só são incluídos após a conclusão do processo administrativo, com decisão definitiva e sem possibilidade de recurso. Em regra, cada nome permanece dois anos na lista, mas uma portaria de 2024 permite a retirada antecipada para empregadores que assinem TAC, indenizem vítimas (mínimo de 20 salários mínimos) e invistam em programas de apoio.
Denúncias
Qualquer pessoa pode denunciar trabalho análogo à escravidão pelo Sistema Ipê (canal online que permite anonimato). Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram resgatados e mais de R$ 160 milhões em verbas trabalhistas foram asseguradas.