31 de julho de 2025
ALAGOAS

Casal troca periferia de Maceió por assentamento e implanta cultura do café em União dos Palmares

André e Manoela Souza cultivam 7 mil pés de café, produzem 40 mil mudas e mobilizam outras 12 famílias. Objetivo é criar cooperativa e marca própria de café torrado e moído

Por Redação
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Família assentada investe em cafeicultura na Zona da Mata de Alagoas - Foto: Ascom Incra

A 70 quilômetros de Maceió, no assentamento Chico Mendes/Bebidas, em União dos Palmares (AL), o casal André Souza (40 anos) e Manoela Souza (38 anos) deixou a cidade para trás e abraçou um desafio ambicioso: implantar a cultura do café na região. Mineiro de Mantena (MG), André trabalhava na construção civil em Maceió até conseguir um lote da reforma agrária. Ele retomou uma atividade que aprendeu na juventude: o cultivo de café.

Com a esposa e a filha de três anos, a família saiu de um bairro na periferia da capital alagoana e fixou residência no assentamento, que fica em uma área de relevo acidentado, serras e clima frio e úmido – ideal para o cultivo de café arábica. O lote tem 400 metros de altitude, e o agricultor utiliza a técnica de terraceamento (plantio em degraus) para evitar erosão e facilitar o trabalho.

Atualmente, André cultiva 1,5 hectare com sete mil cafeeiros. Ele pretende ampliar para cinco hectares. Além disso, já produziu 40 mil mudas de café, todas negociadas com outros assentados e agricultores familiares de cinco municípios alagoanos: União dos Palmares, Flexeiras, Santana do Mundaú, Murici e Jundiá.

O superintendente do Incra Alagoas, Júnior Rodrigues, destaca que as características do assentamento são propícias ao cultivo e que o café arábica é vantajoso para a agricultura familiar porque gera bom retorno econômico em pequenas áreas. Até o momento, 12 famílias dos assentamentos Chico Mendes/Bebidas, Santa Maria II e Limão aderiram à ideia e já plantam cerca de 14 mil cafeeiros.

Do grão ao pó: projeto de agroindústria
A primeira colheita está prevista para maio e junho deste ano. André já construiu um galpão para abrigar uma agroindústria, adquiriu um secador de grãos e uma máquina para descascar o café. Os próximos passos são comprar equipamentos para torrar e moer, com o objetivo de produzir o pó de café e criar uma marca própria. Ele conta com assessoria do Sebrae e pretende montar uma cooperativa no futuro.

A família já possui documentos essenciais (Contrato de Concessão de Uso, Cadastro Ambiental Rural e Cadastro Nacional da Agricultura Familiar) e busca financiamento pelo Pronaf para estruturar o negócio. Ainda neste ano, planeja realizar um evento de degustação do primeiro lote de café torrado e moído.

Sonho e futuro
“Meu sonho sempre foi mexer com café. Além de estar fazendo o que eu gosto, com o café eu vejo o futuro e a esperança de ter algo melhor para mim, meus vizinhos e toda a região. Isso não tem preço”, afirma André. O casal já recebeu visitas de agricultores, associações e instituições como a Embrapa, interessadas na experiência inovadora.