Casos graves de gripe dobram no Brasil; entenda os riscos e como se proteger
Aumento de 100% nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) acende sinal de alerta em 2026
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A temporada de gripe de 2026 começou mais cedo e com uma força incomum no Brasil. Um levantamento do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) aponta que os casos graves da doença, que evoluem para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), já são o dobro em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o instituto, nas primeiras 11 semanas epidemiológicas de 2026, foram registrados 3.681 casos de SRAG causados pela gripe, enquanto no ano anterior o número foi de 1.838.
A SRAG não é uma doença nova, mas sim uma complicação grave de infecções virais, como a gripe ou a Covid-19, que demanda hospitalização. Este aumento repentino acendeu um alerta entre as autoridades de saúde, que já observam uma sobrecarga no sistema hospitalar em algumas regiões.
Mas, afinal, o que explica essa alta? A principal hipótese é a circulação antecipada de novas variantes do vírus da gripe. O Instituto Todos pela Saúde explica que o mesmo padrão de aumento fora de época, observado anteriormente no hemisfério Norte, agora se repete no Brasil. A suspeita recai sobre o Subclado K, uma nova linhagem genética do vírus Influenza A (H3N2). Detectado pela primeira vez no Brasil em dezembro de 2025, ele já foi confirmado em estados como Pará, Ceará e outros.
O epidemiologista Antonio Silva Lima Neto, da Secretaria de Saúde do Ceará, explica que essa nova variação do H3N2 é mais transmissível. "O que o subclado tem de novo é que aumenta a transmissibilidade, o que faz com que a gente tenha surtos súbitos [de gripe]... Ele acaba 'enganando' o sistema imune", afirmou. O médico ressalta que os sintomas são os mesmos de uma gripe comum: febre, tosse, coriza e dores no corpo.
A prevenção mais eficaz continua sendo a vacinação. Diante do cenário de aumento de casos, o Ministério da Saúde antecipou o início da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, que teve início em 28 de março e segue até 30 de maio. A campanha é prioritária para grupos vulneráveis, como crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos com 60 anos ou mais, gestantes, puérperas e pessoas com comorbidades.
Além da vacina, especialistas recomendam a adoção de medidas simples, como o uso de máscaras em locais fechados e com aglomeração, e a higienização frequente das mãos, para conter a disseminação do vírus. Ao apresentar sintomas gripais, o ideal é o isolamento domiciliar e a procura por um serviço de saúde.