Que horas a Artemis II vai sobrevoar a Lua? Confira a programação minuto a minuto
Missão da NASA chega ao momento mais crítico com perda de comunicação de 40 minutos; astronautas vão observar superfície lunar por seis horas e se preparar para pouso em 2028
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A missão Artemis II, da NASA, vive seu dia mais decisivo nesta segunda-feira (6). Os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion vão sobrevoar a Lua no sexto dia de viagem espacial, em uma jornada que combina ciência, tecnologia e superação de limites históricos. Durante a madrugada, precisamente às 1h42 no horário de Brasília, a Orion atingiu o ponto exato em que a força gravitacional da Lua finalmente supera a da Terra — um marco simbólico e técnico da missão. A tripulação, composta por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, já celebrou a Páscoa de forma inusitada, escondendo ovos mexidos pela cápsula, em um gesto de descontração que não diminui a seriedade da empreitada.
A expectativa da NASA é que, por volta das 15h (horário de Brasília), a tripulação supere o recorde de maior distância já percorrida por humanos a partir da Terra — marca que pertencia à missão Apollo 13, de 1970. Cerca de 45 minutos depois, às 15h45, terão início as observações lunares, com a cápsula posicionada de frente para a superfície do satélite. O período intensivo de observação científica durará aproximadamente seis horas, estendendo-se até as 22h20. Durante esse tempo, os astronautas vão coletar o máximo de informações possível para garantir o sucesso do próximo pouso na Lua, previsto para 2028.
O momento mais crítico da missão acontecerá às 19h44, quando a Orion começará a passar por trás da Lua. Nesse trecho, os astronautas ficarão cerca de 40 minutos sem qualquer comunicação com o Centro de Controle da NASA, um intervalo de silêncio tenso que faz parte do planejamento da missão. Por volta das 20h02, a Orion atingirá seu ponto mais próximo da Lua, a 6.550 quilômetros acima da superfície. A previsão é que, até as 20h30, a comunicação seja restabelecida. As observações lunares seguirão até as 22h20, encerrando o período de maior atividade científica do dia.
A jornada de volta à Terra começa ainda nesta segunda, logo após a Orion atingir seu ponto mais distante do nosso planeta. Na terça-feira (7), por volta das 14h25, a cápsula sairá da esfera de influência gravitacional da Lua e iniciará uma viagem de retorno de quatro dias. A missão Artemis II integra um plano de longo prazo da NASA para estabelecer uma presença humana contínua na Lua e preparar futuras viagens tripuladas a Marte. A retomada do programa lunar americano, após mais de 50 anos, ocorre em meio a uma crescente disputa geopolítica com a China e à busca por recursos minerais considerados estratégicos.
Entre esses recursos, destaca-se o hélio-3, um isótopo raro na Terra, mas abundante na superfície lunar. Cientistas estimam que o satélite natural tenha quantidade suficiente de hélio-3 para produzir até dez vezes mais energia do que todo o petróleo, carvão e gás disponíveis no nosso planeta. O material é apontado como o combustível ideal para reatores de fusão nuclear — uma tecnologia ainda em desenvolvimento, mas que pode mudar radicalmente a forma como o mundo produz energia, tornando-a mais limpa, segura e praticamente inesgotável. Por isso, a corrida espacial do século XXI não é apenas por prestígio, mas também por soberania energética.