Durante o trabalho de parto, mulher é obrigada a entrar em videoconferência por recusar cesariana
Gestante defendia parto normal; cirurgia acabou sendo realizada após piora no quadro do bebê
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Uma mulher em trabalho de parto foi obrigada a participar de uma audiência virtual após se recusar a realizar uma cesariana em um hospital de Jacksonville. O caso envolveu a doula Cherise Doyley e ocorreu no fim de 2024.
Segundo relatos, Cherise deu entrada no Hospital da Universidade da Flórida já em trabalho de parto e informou à equipe médica que desejava tentar um parto normal. Os profissionais, no entanto, alertaram para o risco de ruptura uterina — condição rara, mas potencialmente grave — e recomendaram a cesariana, o que foi recusado pela paciente.
Horas depois, ainda durante o trabalho de parto, a gestante foi surpreendida com a realização de uma audiência por videoconferência dentro do quarto do hospital. Enfermeiros levaram um tablet até a paciente, que participou de uma sessão com médicos, advogados e o juiz Michael Kalil.
Durante a audiência, que durou cerca de três horas, o Estado apresentou um pedido emergencial para autorizar a cirurgia. Cherise argumentou que tinha direito de decidir sobre o próprio corpo e destacou experiências negativas em cesarianas anteriores.
Ao final, o juiz não determinou a realização imediata do procedimento, mas autorizou que o hospital realizasse a cirurgia sem consentimento caso houvesse risco à vida.
Na mesma noite, após a redução dos batimentos cardíacos do bebê, a equipe médica realizou a cesariana. A criança, chamada Arewa, nasceu sem complicações.
O episódio gerou questionamentos sobre autonomia da paciente e intervenção judicial em decisões médicas. Cherise afirmou que considera acionar a Justiça, alegando ter sido coagida a se submeter ao procedimento contra sua vontade.