11 governadores e 10 prefeitos de capitais renunciam para disputar outros cargos
Prazo de desincompatibilização terminou no sábado (4); entre os que deixaram os mandatos estão Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Eduardo Paes e João Campos
Publicado em
As eleições de 2026 se aproximam, e a lei eleitoral brasileira exige que ocupantes do Poder Executivo que desejam concorrer a um cargo diferente daquele que ocupam precisam renunciar até seis meses antes do primeiro turno. O prazo final foi neste sábado (4). Com isso, 11 governadores e 10 prefeitos de capitais deixaram seus cargos para disputar outras vagas.
O objetivo da chamada "desincompatibilização" é evitar que o candidato use a máquina pública (estrutura, funcionários e recursos do governo) para beneficiar sua própria campanha.
Governadores que renunciaram: quem é quem
Dos 11 governadores que deixaram o cargo, dois são pré-candidatos à Presidência da República: Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO). Outros oito devem disputar uma vaga no Senado, já que este ano serão renovadas 54 das 81 cadeiras da Casa. Confira a lista completa:
- Acre: Gladson Cameli (PP)
- Amazonas: Wilson Lima (União)
- Distrito Federal: Ibaneis Rocha (MDB)
- Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB)
- Goiás: Ronaldo Caiado (PSD)
- Mato Grosso: Mauro Mendes (União)
- Minas Gerais: Romeu Zema (Novo)
- Pará: Helder Barbalho (MDB)
- Paraíba: João Azevêdo (PSB)
- Rio de Janeiro: Cláudio Castro (PL)
- Roraima: Antonio Denarium (PP)
Com a saída desses governadores, seus vices assumem os respectivos estados. Na maioria dos casos, os vices também serão candidatos a um novo mandato em outubro. No Rio de Janeiro, porém, há uma situação especial: Cláudio Castro estava sem vice (o anterior foi nomeado para o Tribunal de Contas do Estado). Por isso, uma nova eleição será realizada para um mandato-tampão até o fim do ano. O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se essa eleição será direta (com voto popular) ou indireta (apenas os deputados estaduais votam).
Importante: a renúncia não confirma a candidatura – ela apenas permite que o político possa se registrar. A oficialização das candidaturas acontecerá em agosto, após as convenções partidárias e o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Governadores que podem tentar a reeleição (e não precisam renunciar)
Quem vai concorrer ao mesmo cargo que ocupa atualmente não precisa deixar o mandato. É o caso de nove governadores, incluindo o presidente Lula (que tenta a reeleição). São eles:
- Amapá: Clécio Luís (União)
- Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT)
- Ceará: Elmano de Freitas (PT)
- Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP)
- Pernambuco: Raquel Lyra (PSD)
- Piauí: Rafael Fonteles (PT)
- Santa Catarina: Jorginho Mello (PL)
- São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos)
- Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD)
Governadores que ficam até o fim do mandato (e não disputam)
Outros sete governadores decidiram não concorrer a nenhum cargo em 2026. Eles vão cumprir seus mandatos até o fim. São eles:
- Alagoas: Paulo Dantas (MDB)
- Maranhão: Carlos Brandão (sem partido)
- Paraná: Ratinho Junior (PSD)
- Rio Grande do Norte: Fátima Bezerra (PT)
- Rio Grande do Sul: Eduardo Leite (PSD)
- Rondônia: Marcos Rocha (PSD)
- Tocantins: Wanderlei Barbosa (Republicanos)
Caso especial: Eduardo Leite (RS) queria ser candidato a presidente, mas perdeu a disputa interna no PSD para Ronaldo Caiado. Já Fátima Bezerra (RN) planejava concorrer ao Senado, mas seu vice, Walter Alves, recusou-se a assumir o governo – ele quer ser deputado estadual. Assim, ela permanece no cargo.
Prefeitos de capitais que renunciaram para disputar governos
Dez prefeitos de capitais deixaram seus cargos para tentar o governo de seus estados. A lista inclui nomes de peso, como Eduardo Paes (ex-prefeito do Rio de Janeiro), João Campos (ex-prefeito do Recife) e JHC (ex-prefeito de Maceió). Veja todos:
- Eduardo Paes (PSD) – ex-prefeito do Rio de Janeiro (RJ)
- Lorenzo Pazzolini (Republicanos) – ex-prefeito de Vitória (ES)
- João Campos (PSB) – ex-prefeito do Recife (PE)
- Eduardo Braide (PSD) – ex-prefeito de São Luís (MA)
- Cícero Lucena (MDB) – ex-prefeito de João Pessoa (PB)
- David Almeida (Avante) – ex-prefeito de Manaus (AM)
- Dr. Furlan (PSD) – ex-prefeito de Macapá (AP)
- Tião Bocalom (PSDB) – ex-prefeito de Rio Branco (AC)
- Arthur Henrique (PL) – ex-prefeito de Boa Vista (RR)
- João Henrique Caldas (JHC) (PSDB) – ex-prefeito de Maceió (AL)
Com as renúncias, os vices dos prefeitos assumem as capitais até o final do ano ou até que novos prefeitos sejam eleitos em outubro.
Agora, os partidos se preparam para as convenções, que acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto. Nelas, os nomes serão oficializados. Depois, os candidatos terão até meados de agosto para registrar suas candidaturas no TSE. A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto. O primeiro turno será em 4 de outubro.