Empreiteira investigada por compra de sentenças no Maranhão acumula R$ 1,3 bilhão em obras estaduais
Lucena Infraestrutura é alvo da Polícia Federal e do TCU; receita da empresa saltou mais de 3.000% em cinco anos
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A empreiteira Lucena Infraestrutura Ltda, alvo de uma operação da Polícia Federal que apura um esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), acumula R$ 1,3 bilhão em contratos com o governo estadual. Os dados, obtidos pela coluna no portal da transparência do Maranhão, abrangem o período de 2022 a 2026.
O painel de valores pagos anualmente pelo estado à empresa revela um crescimento expressivo ano após ano, especialmente a partir de 2021. A receita da Lucena saltou de R$ 13,6 milhões em 2020 para R$ 439,4 milhões em 2025 – um aumento de 3.130% em apenas cinco anos.
Uma das principais obras executadas pela Lucena é o prolongamento da Avenida Litorânea, que ligará São Luís a São José de Ribamar. O Tribunal de Contas da União (TCU) investiga uma possível fraude à licitação que teria beneficiado a empreiteira. O custo previsto do empreendimento é de R$ 235 milhões aos cofres públicos.
Além da suspeita de irregularidades na licitação, a Polícia Federal investiga se a empresa teria participado da compra de decisões judiciais no TJMA. A operação, deflagrada recentemente, apura um esquema que envolveria desembargadores, advogados e empresários. Segundo as investigações, sentenças favoráveis a grandes contratos públicos seriam negociadas mediante pagamento de propina.
O TJMA ainda não se manifestou oficialmente sobre as acusações. Já a Lucena Infraestrutura, por meio de sua defesa, nega qualquer irregularidade e afirma que todos os seus contratos são legais e foram precedidos de licitação regular. A empresa diz confiar na Justiça e que colaborará com as investigações.
O escândalo promete abalar o cenário político no Maranhão, já que a Lucena é uma das maiores fornecedoras de serviços de engenharia para o estado. O governador Carlos Brandão (PSB) ainda não se pronunciou sobre o caso. A oposição já pede a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as relações entre o poder público e a empreiteira.