31 de julho de 2025
PENSE 2024

Violência sexual contra adolescentes em Alagoas cresce 47% em cinco anos, aponta IBGE

Quase 1 em cada 5 estudantes já sofreu violência sexual; aumento é maior entre meninas e na rede pública; maioria dos casos ocorre antes dos 13 anos, e agressores são pessoas próximas

Por Redação
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Alagoas: quase 1 em cada 5 estudantes relata violência sexual; alta é de 47% - Foto: Freepik/Ilustração

O percentual de escolares de 13 a 17 anos que já sofreram violência sexual (toques, beijos ou exposição de partes do corpo contra a vontade) aumentou 47% em Alagoas entre 2019 e 2024, passando de 12,1% para 17,8%. Isso significa que quase 1 em cada 5 estudantes no estado já vivenciou esse tipo de situação. Em Maceió, o indicador subiu de 13,1% para 18,4% no mesmo período.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada nesta quinta-feira (2) pelo IBGE, com recorte específico para Alagoas e Maceió. No Brasil, o percentual passou de 14,6% para 18,5% (alta de 27%), bem abaixo do observado em Alagoas.

A violência sexual atinge de forma mais intensa as meninas, e foi entre elas que se observou o maior crescimento. Em Alagoas, o percentual de meninas que relataram violência sexual passou de 15,0% (2019) para 22,8% (2024) — aumento de 52%. Entre os meninos, subiu de 9,1% para 12,8% (40%).

Em Maceió, a diferença é ainda mais expressiva: entre as meninas, o percentual avançou de 17,4% para 26,3% (alta de 51%), enquanto entre os meninos passou de 8,6% para 10,4% (21%).

O aumento da violência sexual foi mais intenso entre estudantes da rede pública. Em Alagoas, o percentual na rede pública subiu de 11,9% (2019) para 18,4% (2024) — crescimento de 55%. Na rede privada, o avanço foi menor: de 12,7% para 14,8% (16%).

Em Maceió, o contraste é ainda mais acentuado: na rede pública, o percentual subiu de 13,1% para 21,7% (alta de 66%). Já na rede privada, o indicador permaneceu praticamente estável (de 13,2% para 13,4%).

O percentual de estudantes que relataram ter sido ameaçados, intimidados ou obrigados a ter relações sexuais ou outro ato sexual contra a vontade subiu de 5,1% (2019) para 8,9% (2024) em Alagoas — um crescimento de 74%. Em Maceió, o indicador passou de 5,3% para 7,9% (alta de 49%).

Na maior parte dos casos, a violência é cometida por pessoas do convívio das vítimas. Em Alagoas, os principais grupos identificados em 2024 foram:

  • Desconhecido: 27,2%
  • Outro conhecido: 23,3%
  • Outros familiares: 22,4%
  • Namorado, ex-namorado, ficante ou crush: 21,8%
  • Amigo: 17,6%
  • Pai, mãe, padrasto ou madrasta: 8,8%

Em 2019, o amigo aparecia como principal agressor (31,9%).

A violência sexual atinge os estudantes ainda na infância. Em Alagoas, 64,7% dos estudantes que sofreram violência sexual relataram que o episódio ocorreu antes dos 13 anos, percentual semelhante ao observado em 2019 (63,2%). Em Maceió, essa proporção aumentou de 52,8% (2019) para 65,9% (2024) , indicando maior concentração dos casos em idades mais precoces.

No Brasil, o percentual passou de 53,2% (2019) para 66,2% (2024).

Sobre a PeNSE

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) é realizada pelo IBGE em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação. Em Alagoas, a edição de 2024 contou com 161 escolas e cerca de 6.700 estudantes, abrangendo alunos de 13 a 17 anos do 7º ao 9º ano do ensino fundamental e da 1ª à 3ª série do ensino médio, em escolas públicas e privadas.