31 de julho de 2025
COMÉRCIO

Casa Branca critica Pix, “taxa das blusinhas” e Mercosul em relatório sobre o Brasil

Documento do governo dos EUA aponta medidas brasileiras como protecionistas e questiona impacto sobre empresas americanas

Por RAYANY FRANÇA
Publicado em
Donald Trump - Foto: Alex Wong/ Getty Images

A Casa Branca voltou a fazer críticas ao Brasil ao incluir o sistema de pagamentos Pix e políticas comerciais ligadas ao Mercosul no centro de uma investigação sobre práticas consideradas prejudiciais a empresas dos Estados Unidos. A análise é conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) e pode abrir caminho para medidas contra o país.

A Casa Branca publicou nesta quarta-feira (1º/4) um relatório sobre as relações comerciais dos Estados Unidos com outros países e incluiu o Brasil entre os alvos de críticas. No documento, o governo norte-americano aponta medidas como o Pix, a chamada “taxa das blusinhas” e tarifas adotadas no âmbito do Mercosul como práticas consideradas protecionistas e prejudiciais a empresas americanas.

O relatório detalha regras do comércio brasileiro que, na avaliação dos EUA, dificultam a entrada de produtos estrangeiros. Entre os pontos destacados está o regime de Desembaraço Aduaneiro Simplificado, que prevê uma alíquota de até 60% sobre remessas internacionais, além de limites de valor para importações e exportações. As autoridades americanas também criticam as restrições impostas a compras internacionais, classificando as medidas como barreiras ao livre comércio.

A chamada “taxa das blusinhas” é citada como exemplo dessas políticas. A medida, sancionada em 2024 pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabeleceu tributação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, além da cobrança de ICMS. Para valores superiores, a taxação pode chegar a 60%, com desconto fixo. Antes da mudança, remessas de até US$ 50 eram isentas de imposto de importação.

O documento também menciona o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, apontando que o modelo pode favorecer soluções nacionais e reduzir o espaço de empresas estrangeiras no setor financeiro. Já em relação ao Mercosul, os Estados Unidos indicam que as tarifas comuns do bloco funcionam como entraves adicionais ao comércio bilateral.

As críticas ocorrem em meio a um cenário de maior tensão comercial e disputa por mercados estratégicos. A avaliação do governo americano pode influenciar futuras negociações entre os países e até embasar eventuais medidas comerciais. No Brasil, a política de taxação de importações já gerou impacto político, com reflexos na popularidade do governo após a implementação das novas regras.