31 de julho de 2025
ECONOMIA

Petrobras estuda tornar Brasil autossuficiente em diesel em até cinco anos

Atualmente, país importa cerca de 30% do combustível consumido; plano de negócios prevê expansão de refinarias e adaptação de plantas para priorizar produção do derivado

Por Redação
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Magda Chambriard, presidente da Petrobras - Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

A presidente da PetrobrasMagda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (1º) que a empresa estuda a possibilidade de tornar o Brasil autossuficiente na produção de óleo diesel em um prazo de até cinco anos. Atualmente, o país importa cerca de 30% do diesel consumido — combustível essencial para caminhões, ônibus e tratores.

A declaração foi feita durante um evento sobre energia promovido pela CNN Brasil, em São Paulo. Chambriard explicou que o plano de negócios atual da companhia previa atingir 80% da demanda com a expansão de cerca de 300 mil barris por dia em cinco anos. Agora, a empresa avalia a viabilidade de chegar a 100%.

“Estamos revendo esse plano e nos perguntando se podemos chegar a 100% em cinco anos. Muito provavelmente, porque a Petrobras adora desafios, quem sabe a gente chega com a possibilidade de ter um novo plano de negócios capaz de entregar a autossuficiência do Brasil em diesel”, afirmou.

A ampliação da produção de diesel pela Petrobras pode ser alcançada com ações já em curso, segundo a executiva:

  • Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca (PE): projetada para entregar 230 mil barris de diesel por dia, deve chegar a 300 mil barris diários com ampliações e renovações.
  • Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro: associada ao Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), terá capacidade ampliada de 240 mil para cerca de 350 mil barris por dia.
  • Refinarias em São Paulo: adaptações estão sendo feitas para reduzir a produção de óleo combustível e priorizar a entrega de diesel.

“Diesel é o combustível mote do desenvolvimento nacional. A gente aumentando [a produção de] diesel, a gasolina vem junto, os dois principais produtos Petrobras”, disse Chambriard.

Desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, o preço do óleo diesel S10 (menos poluente) subiu cerca de 23% no país, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) . Em 14 de março, a Petrobras aplicou um reajuste de R$ 0,38.

Para conter a alta, o governo federal adotou medidas como:

  • zeragem das alíquotas do PIS e Cofins sobre o diesel;
  • subvenção (reembolso) a produtores e importadores;
  • negociações com estados para aplicação de subsídio de R$ 1,20 por litro.

O conflito no Oriente Médio afeta diretamente o preço do petróleo. O barril tipo Brent, referência internacional, é negociado atualmente acima de US$ 101 — antes da guerra, estava perto de US$ 70.

Nesta quarta-feira, a Petrobras também reajustou o preço do querosene de aviação (QAV) em 55%. O combustível responde por cerca de 30% dos custos das companhias aéreas.

O novo plano de negócios da Petrobras começará a ser discutido em maio, com divulgação prevista para novembro.