31 de julho de 2025
ALERTA

1º de abril: cuidado com as mentiras nas redes sociais, mesmo fora do Dia da Mentira

Publicações falsas, “pegadinhas” e publicidade velada dominam plataformas como X e Instagram

Por Redação
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Primeiro de Abril é conhecido como Dia da Mentira. - Foto: Imagem gerada por inteligência artificial

Não precisa ser 1º de abril para ser enganado por uma mentira ou meia-verdade nas redes sociais. Seja para promover um produto, colocar o nome de um artista nos assuntos mais comentados ou apenas conseguir engajamento, as “pegadinhas” e “mentiras inocentes” sempre fizeram parte das plataformas — e estão cada vez mais sofisticadas.

No X (antigo Twitter) e no Instagram, por exemplo, são comuns publicações que se aproveitam dos assuntos em alta para viralizar. Falsas agressões em blocos de carnaval, oportunidades de trabalho com grandes artistas internacionais, confirmação de atores em franquias de sucesso ou até o nascimento do filho de uma diva — os exemplos são muitos. E, nessas brincadeiras, quem não entendeu a “piada” acaba sendo chamado de desavisado.

Até mesmo nos casos mais absurdos — como o suposto envolvimento de personagens de desenho animado em crimes e confrontos com a polícia —, especialistas ouvidos pela reportagem entendem que as plataformas devem empregar métodos digitais e orgânicos para fiscalizar as publicações.

“O objetivo central dessas medidas deve ser garantir maior transparência informacional, preservando a confiança dos usuários e assegurando condições mais equilibradas nas relações de consumo no ambiente digital”, afirmou a doutora em direito do consumidor Lais Bergstein ao portal Metrópoles.

Em muitos exemplos, as publicações falsas têm como único objetivo viralizar e arrancar risadas e curtidas. Em outros casos, porém, internautas usam relatos falsos para induzir usuários a clicar em links de anúncios de lojas virtuais.

O modus operandi é quase sempre o mesmo: textos repetidos várias vezes contam uma história que causa curiosidade ou revolta. Para saber o desfecho, o leitor deve conferir as publicações relacionadas (o famoso “segue o fio”), onde o aguarda o link.

Esta “publicidade invisível”, em que os usuários não identificam que se trata de um conteúdo publicitário, representa, segundo especialistas, um dos maiores desafios na gestão das plataformas.

“O principal desafio está na própria estrutura das plataformas digitais, que permite a circulação massiva e instantânea de conteúdos produzidos por milhões de usuários e que estão hospedados no exterior”, explica Lais Bergstein.

“A velocidade de produção e disseminação de conteúdo torna complexa a fiscalização sistemática por órgãos públicos ou entidades de autorregulação. Daí a importância da harmonização, no plano internacional, das regras de proteção de dados e uso de sistemas de inteligência artificial”, acrescenta.

Impacto sobre influenciadores e criadores

Thiago Costa, pesquisador do Laboratório CultPop da Universidade Federal Fluminense (UFF), acrescenta que esse tipo de publicação pode afetar até os influenciadores digitais.

“As plataformas podem — e aparentemente começaram — diminuir o alcance desse tipo de postagem, que começa de um jeito, mas no final ‘vira’ uma publicidade”, diz. “Quem realmente vive da influência e da criação de conteúdo, com parcerias com marcas, pode acabar tendo que mudar de estratégia.”

“Isso pode diminuir o interesse de algumas marcas e também o faturamento desses criadores, porque muitas campanhas utilizam o número de cliques originados do conteúdo para definir o pagamento dos influenciadores”, argumenta.

Dicas para não cair em pegadinhas nas redes

Para evitar ser enganado, confira algumas orientações:

  • Confira o perfil que fez a publicação. Muitos usam o nome e a foto de veículos de comunicação ou pessoas reais para enganar. Perfis que respeitam as regras da plataforma costumam sinalizar que são contas humorísticas ou de paródia.
  • Leia atentamente a legenda e os comentários. Uma leitura atenta pode ajudar a identificar indícios de que o conteúdo não é verdadeiro. Comentários de outros usuários também podem esclarecer a “pegadinha”.
  • Pesquise antes de compartilhar. Por maior que seja o impulso, vale a pena perder alguns segundos para confirmar a informação e não “pagar mico” por ter caído em uma mentira.
  • Use ferramentas como a Nota da Comunidade, disponível no X, que permite que usuários avisem sobre informações falsas.

O que as plataformas podem fazer?

Para fazer cumprir a legislação brasileira, a atuação ativa das plataformas é fundamental. Instagram e TikTok, por exemplo, afirmam que empregam canais próprios com diretrizes para compartilhamento de vídeos e contam com canais de denúncia para que qualquer usuário sinalize conteúdos que infrinjam políticas — sejam elas de direitos autorais, conteúdo ofensivo ou publicidade enganosa.

“Quando se deparar com conteúdo desse tipo e se sentir enganado, o usuário deve reportar às plataformas, pedindo a retirada e mostrando que não está de acordo com isso. Fazendo isso, fica claro para as plataformas que não dá mais para aceitar esse tipo de conteúdo”, completa Thiago Costa.