31 de julho de 2025
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João Gomes recusa mansão moderna e aposta em casa sertaneja: “Queria um casarão de alpendre”

Cantor pernambucano, que conquistou Grammy Latino e tem mais de 16 milhões de seguidores, rejeitou projeto contemporâneo para construir lar com identidade do interior em Petrolina

Por Redação
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O cantor João Gomes - Foto: Reprodução/Instagram

João Gomes nasceu em Serrita, no sertão de Pernambuco, e foi morar em Petrolina. Aos 23 anos, com Grammy Latino conquistado, mais de 16 milhões de seguidores e shows lotados pelo Brasil, ele poderia ter escolhido qualquer endereço. Em vez disso, optou por algo mais simples: uma vida com raízes fincadas no chão do Nordeste.

Essa escolha se traduz, de forma concreta, em dois projetos que revelam quem o cantor é fora dos palcos.

Em Recife, João Gomes criou a chamada Casa Caranguejo, um refúgio com estrada de terra e até cavalo no quintal, inspirado nas lembranças de sua infância em Petrolina. “A casa já existia, mas estava abandonada. A gente pintou e deu outra vida”, contou.

O nome vem de uma referência a Chico Science. “Aqui é a Casinha do Caranguejo. Vem daquela música: ‘desorganizando posso me organizar’”, explica João. Mais do que uma moradia, o espaço representa um retorno simbólico às origens. “É muito para isso mesmo: para andar a cavalo, poder ter um pouco do que eu tinha em Petrolina. Eu tinha mais contato com o chão, com as coisas mais arenosas”, afirma.

A ligação afetiva fica ainda mais evidente quando o cantor fala da infância. Nas férias escolares, o destino era sempre Serrita. “Quando chegavam as férias, eu estava em Serrita. Lá é onde, bem dizer assim, eu passei os melhores momentos da minha infância”, relembra.

Enquanto a Casa Caranguejo já existe, outro projeto segue em andamento. João Gomes e a esposa, Ary Mirelle, adquiriram dois lotes vizinhos no condomínio Alphaville, em Petrolina, que somam cerca de 600 metros quadrados. O primeiro projeto apresentado pelo escritório de arquitetura, no entanto, apostava em estética contemporânea, com linhas retas, uso intenso de vidro e acabamento sofisticado. Para João, faltava identidade.

Em participação no podcast “Prosa Sertanejo”, o cantor foi direto: “Eu comprei o terreno, aí na hora de fazer a casa não deu certo, porque todas as casas que eu achava bonita são aquelas casas de sertão mesmo, aqueles casarões grandões de alpendre. E ninguém queria fazer essas casas no Alphaville. Queriam só fazer aquelas casas quadradas.”

Após o impasse, o escritório apresentou uma nova versão do projeto, desta vez mais alinhada ao desejo do casal. O conceito foi reformulado e entregue novamente para avaliação de João e Ary, que agora analisam os próximos passos antes de iniciar a obra. O cantor reforça que prefere esperar e construir algo com significado pessoal. Para ele, o futuro lar precisa unir conforto, memória afetiva e identidade regional.

Ao contrário de muitos artistas que migram para centros como São Paulo ou Rio de Janeiro, João Gomes optou por permanecer no Nordeste. A escolha vai além da preferência pessoal: manter-se próximo das origens fortalece sua identidade artística e sua conexão com o público.

Essa coerência aparece também na música. O projeto Dominguinho, gravado ao lado de Jota.pê e do sanfoneiro Mestrinho, rendeu ao cantor seu primeiro Grammy Latino, em novembro de 2025. Além disso, João foi escolhido para estrear a versão brasileira do Tiny Desk Concert, série intimista que celebra grandes talentos da música. Ainda assim, ele segue firme na pegada acústica e no universo do sertão.

“A música tem me proporcionado lugares grandes, mas eu sempre faço meus audiovisuais mais na pegada acústica. O Pé de Serrita é um pé de serra gravado no quintal da minha avó”, conta.

Seja na Casa Caranguejo ou no projeto em Petrolina, o recado é o mesmo: o sertão não é só cenário. É endereço.