Roubo de cargas cai quase 17% em 2025, mas prejuízo ainda supera R$ 1 bilhão
Sudeste concentra 86,8% das ocorrências; setor de transporte ainda enfrenta desafios com custos operacionais e segurança
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O Brasil registrou 8.750 ocorrências de roubo de cargas em 2025, de acordo com levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) . O número representa uma queda de 16,7% em relação a 2024, mas o crime ainda se mantém como um dos principais desafios para o setor de transporte e logística no país.
Apesar da redução no número de casos, o impacto financeiro permanece bilionário. O prejuízo estimado chega a cerca de R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão quando considerados os efeitos indiretos, como aumento de custos operacionais, elevação dos seguros e repasse desses gastos ao preço final dos produtos — fatores que compõem o chamado custo Brasil.
As ações criminosas seguem um padrão já conhecido: o foco está em cargas de alta liquidez, como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos, que têm maior facilidade de revenda no mercado ilegal.
As abordagens ocorrem principalmente com interceptações de veículos em movimento, ataques durante entregas e a atuação em áreas urbanas e corredores logísticos estratégicos.
A região Sudeste concentra 86,8% de todas as ocorrências, com destaque para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, que lideram os registros desse tipo de crime no país.
Para o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, o setor tem avançado em pautas importantes no âmbito institucional e legislativo, mas o cenário ainda exige atenção.
“O cenário segue preocupante e exige atenção permanente, com ações estruturadas e integradas em todo o país”, afirmou.
Rebuzzi também destacou que a sanção do Marco Legal do Combate ao Crime Organizado pode auxiliar na redução do roubo de carga. Conhecida como Lei Antifacção, a norma entrou em vigor nesta quarta-feira (25), ampliando as penas para líderes de facções criminosas e criando mecanismos que limitam a movimentação financeira desses grupos.
O setor de transportes demonstra preocupação com o roubo de cargas há anos, o que tem levado a redirecionamentos internos de investimentos. Muitas empresas criaram centros próprios de monitoramento e ampliaram o uso de segurança privada nos trajetos