31 de julho de 2025
CIÊNCIA

Pesquisadores detectam cafeína, cocaína e remédios em sangue de tubarões nas Bahamas

Estudo liderado por cientista brasileira aponta contaminação por poluição humana em ilha remota; substâncias podem causar problemas fisiológicos nos animais

Por Redação
Publicado em
Pesquisadores detectam cafeína e cocaína em sangue de tubarões - Foto: Freepik/Ilustração

Ao analisar amostras de sangue de tubarões nas Bahamas, pesquisadores detectaram a presença de substâncias incomuns para o ambiente marinho: cafeína, cocaína e medicamentos anti-inflamatórios como diclofenaco e paracetamol. Os especialistas alertam que a contaminação é resultado direto da poluição marinha causada por humanos.

O estudo foi liderado pela pesquisadora brasileira Natascha Wosnick, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em parceria com cientistas internacionais. Os resultados foram publicados na revista científica Environmental Pollution em meados de fevereiro.

Foram coletadas amostras de sangue de 85 tubarões de cinco espécies diferentes próximos à Ilha Eleuthera, no arquipélago das Bahamas. De acordo com os resultados:

  • - um terço dos animais apresentou resultado positivo para substâncias anti-inflamatórias (diclofenaco e paracetamol) e cafeína;
  • - um dos tubarões testou positivo para cocaína.

Este é o primeiro registro sobre contaminantes emergentes (CECs) em tubarões-das-Bahamas, segundo os autores.

Em entrevista ao portal Science News, a pesquisadora Natascha Wosnick explicou que a contaminação tem participação humana direta. A Ilha Eleuthera, apesar de remota, sofre com o aumento do turismo e da ocupação humana.

“Estamos falando de uma ilha muito remota nas Bahamas. O problema é que as pessoas vão lá, urinam na água e despejam seus dejetos na água”, afirmou a cientista.

Além do crescimento do fluxo de turistas, o número de casas de férias na região também aumentou. Ambos os fatores alteram a complexidade química das águas locais, expondo os animais a substâncias que não existem naturalmente no oceano.

O contato com essas substâncias pode causar problemas fisiológicos nos tubarões e em outras espécies marinhas, como:

  • - insuficiência renal;
  • - hiperglicemia (aumento do açúcar no sangue);
  • - mudanças no metabolismo lipídico (gordura).

Os pesquisadores destacam a necessidade urgente de investigar como o sistema fisiológico dos animais responde a essas mudanças.

O estudo reforça que a poluição marinha não se limita a plásticos ou esgoto visível, mas também envolve contaminantes químicos emergentes que podem afetar toda a cadeia alimentar. Os tubarões, como predadores de topo, são indicadores importantes da saúde dos ecossistemas costeiros.

“A investigação é fundamental não apenas para salvaguardar um componente ecológico essencial dos ecossistemas costeiros, mas também para preservar os benefícios sociais e econômicos que eles proporcionam”, concluem os pesquisadores.