31 de julho de 2025
ECONOMIA

Brasil registrou mais de 180 mensagens de golpe por minuto nas redes sociais em 2025, revela Serasa Experian

Monitoramento identificou 98 milhões de mensagens fraudulentas no ano; criminosos usam IA e deepfakes para dar credibilidade a anúncios falsos e páginas de órgãos públicos

Por Redação
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Brasil registrou mais de 180 mensagens de golpe por minuto nas redes sociais em 2025 - Foto: Freepik/Ilustração

Durante a leitura deste parágrafo, dezenas de mensagens fraudulentas são enviadas pelas redes sociais — em média, 186 por minuto. Em 2025, mais de 98 milhões de mensagens associadas a golpes nesses ambientes foram identificadas pelo monitoramento contínuo de cibersegurança da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. O número revela um avanço de 38,5% em relação ao volume mapeado em 2024, acompanhando o ritmo acelerado de digitalização no país.

No mesmo período, foram detectados mais de 2 mil grupos voltados à circulação e troca de conteúdos fraudulentos — um aumento de 205% na comparação anual. O levantamento também aponta a aceleração da infraestrutura usada por criminosos: em média, 4 sites falsos são criados por hora no Brasil.

“Hoje, recursos como a IA generativa vêm sendo incorporados ao ecossistema de golpes para dar mais escala, consistência e aparência de legitimidade a anúncios, textos, imagens e páginas falsas, o que pode aumentar a eficácia da engenharia social”, afirma Rodrigo Sanchez, Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian.

Para reduzir esse risco, o especialista recomenda ações baseadas em prevenção em camadas, que combinam diferentes tipos de validações, e agilidade de resposta, com monitoramento contínuo do ambiente digital — incluindo surface web, deep web e dark web — para identificar sinais antecipados, qualificar ocorrências e acionar a derrubada de conteúdos maliciosos.

Os especialistas identificaram alguns formatos de golpe que têm se repetido com maior frequência, usando temas do cotidiano para ganhar escala e credibilidade. Entre os principais:

  • Anúncios “turbinados” por IA para vendas, especialmente de “remédios milagrosos”: criminosos usam imagens e vídeos com celebridades e influenciadores — muitas vezes manipulados ou fora de contexto — para dar credibilidade à oferta e induzir o consumidor ao clique e à compra em páginas fraudulentas.
  • Deepfakes e páginas falsas com temática governamental: fraudadores espalham notícias falsas que direcionam vítimas a sites maliciosos que solicitam dados pessoais. Para aumentar a confiança, combinam vídeos e imagens manipulados de supostos agentes públicos (como presidentes e governadores) com referências visuais a veículos de imprensa e elementos de comunicação institucional.
  • Fraudes envolvendo concursos públicos: golpistas exploram o alto interesse por vagas e estabilidade, com anúncios que oferecem salários acima do mercado como isca para capturar informações como nome e CPF. Esses dados são usados em etapas posteriores de fraude ou até comercializados.

Dicas para consumidores evitarem golpes

A Serasa Experian lista orientações para que os cidadãos se protejam:

  • - Desconfie de urgência (“só hoje”, “últimas vagas”, “últimas unidades”) e de promessas irreais, como cura milagrosa, descontos extremos ou salários muito acima do mercado.
  • - Trate como suspeito qualquer conteúdo “com cara de autoridade” e confirme a informação em canais oficiais, pois vídeos e imagens podem ser manipulados por IA.
  • - Verifique o perfil antes de interagir: data de criação, histórico de posts, padrão de comentários, relação seguidores/engajamento e selo de verificação.
  • - Digite o endereço no navegador ou use o app/site oficial em vez de clicar em links de anúncio, DM ou grupo.
  • - Confira a URL completa antes de prosseguir e evite links encurtados e domínios com variações (letras trocadas, hífens, extensões incomuns).
  • - Não informe senhas, códigos de confirmação (SMS/WhatsApp/e-mail), dados de cartão ou documentos em páginas acessadas por links de mensagens ou anúncios.
  • - Não instale aplicativos fora das lojas oficiais e confira sempre desenvolvedor, avaliações e número de downloads para evitar apps clonados.
  • - Ative a autenticação em duas etapas (2FA) no e-mail e nas redes sociais e use senhas fortes e exclusivas.
  • - Monitore seu CPF com frequência e aja rapidamente se notar movimentações suspeitas.

Dicas para empresas protegerem suas marcas

A Serasa Experian também orienta empresas a reduzirem o risco de imitação de marca e golpes em plataformas digitais:

  • - Implementar monitoramento contínuo para identificar anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos que usem a marca.
  • - Manter um playbook de resposta com triagem, priorização, preservação de evidências, acionamento de remoção e comunicação ao cliente.
  • - Reforçar autenticação e prevenção à fraude em camadas nas jornadas críticas (cadastro, login, recuperação de conta e pagamento).
  • - Proteger ativos de marca: registrar domínios similares (typosquatting), padronizar perfis oficiais e buscar verificação quando possível.
  • - Facilitar a checagem pelo consumidor: destacar canais oficiais e publicar orientações curtas e consistentes.
  • - Treinar atendimento e equipes de redes sociais para reconhecer impersonação, deepfakes e anúncios suspeitos.