Vitória Rodrigues: atriz alagoana estreia em “Nobreza do Amor”
Artista interpreta Dôra, primeira-dama dos anos 1920 que enfrenta conflitos estéticos e sociais; personagem aborda pressão por alisamento de cabelos como forma de aceitação
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A atriz, poetisa e multi-instrumentista alagoana Vitória Rodrigues acaba de estrear na teledramaturgia brasileira com um papel de peso. Ela integra o elenco de “A Nobreza do Amor”, nova novela das seis da TV Globo, que começou a ser exibida no último dia 16 de março. Na trama, Vitória dá vida a Dôra Lobo, conhecida como Dôra, a primeira-dama da cidade de Barro Preto, uma personagem que coloca em cena debates sobre identidade, poder e as pressões estéticas enfrentadas por mulheres negras na década de 1920.
Dôra não é apenas uma figura de prestígio. A personagem carrega as dores e as exigências de uma época em que o cabelo alisado era visto como condição para aceitação social. Um dos eixos centrais da personagem é justamente esse conflito — uma experiência que, segundo Vitória, ressoa com a vivência de muitas mulheres negras até hoje.
“Dar voz e corpo à Dôra, uma mulher negra e primeira-dama na década de 1920, é lindo demais. O conflito dela com o cabelo é algo que muitos de nós já vivemos. É um marco ocupar esses espaços de poder na tela”, afirma a atriz.
A novela, escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., se passa no Nordeste brasileiro, na fictícia cidade de Barro Preto (RN). Vitória contracena com Fábio Lago, que interpreta o prefeito e seu par romântico na trama.
Natural de Alagoas, a caminhada de Vitória até o reconhecimento nacional foi marcada por resiliência. Formada em Educação Física, ela usou a profissão para custear os estudos de teatro à noite na tradicional escola Martins Penna, no Rio de Janeiro. Nos fins de semana, trabalhava com festas infantis para se manter na capital fluminense.
“Foi um processo muito difícil, sofri muito de saudade da minha família e com as dificuldades que tem quem sai de sua terra e passa a morar em um lugar completamente desconhecido”, relembra.
A virada de chave aconteceu durante a pandemia. De volta a Alagoas, ela passou a postar vídeos de poesia nas redes sociais — hoje soma mais de 340 mil seguidores. A visibilidade rendeu um convite para roteirizar e apresentar o programa “Cordel da Gente” (GNT), gravado inteiramente em seu estado natal.
“Quando a chave virou, foi na minha terra. Isso foi muito significativo e me deu mais confiança pra acreditar que não é sobre onde a gente está, mas sobre o quanto acreditamos em nossa arte”, conta.
Vitória é uma artista completa. No teatro, foi vencedora do Prêmio CBTIJ 2023 como Melhor Atriz Coadjuvante por “Gagá”. Também se destacou como dramaturga e compositora nas peças “Nossas Bocas não foram Feitas só para sorrir” e “Di Cabrobró”.
Na música, foi integrante do grupo Forrozinas e lançou o show solo “Tanto Canto, Quanto Conto”, além dos singles “Agradeça” e “Muito prazer, eu sou mulher”. Multi-instrumentista, ela afirma que a musicalidade influencia diretamente sua atuação.
“A música é um ponto muito importante em minha vida, essa relação com o ritmo e com os instrumentos me ajuda na composição de cada personagem, ainda que eu não toque ou cante, ter isso dentro de mim é importante demais”, revela.
Na televisão, Vitória já teve passagens marcantes em “Vai na Fé” (2023) e “No Rancho Fundo” (2024), ambas na TV Globo.
Sobre o crescimento de atores nordestinos no audiovisual nacional, Vitória celebra. “Ser nordestina é o combustível da minha arte. Isso não me limita, só me impulsiona na verdade de cada personagem e no meu olhar poético para o mundo. Ser alagoana e nordestina é um ponto chave no fazer da minha arte, desde a escrita à atuação.”