31 de julho de 2025
ECONOMIA

Como pagar menos Imposto de Renda e aumentar a restituição em 2026: veja o que é possível deduzir

Especialistas explicam quais critérios influenciam no valor a ser restituído e alertam: organização ao longo do ano é mais importante do que "atalhos" na hora da declaração

Por Redação
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Como pagar menos IR e aumentar a restituição em 2026: veja o que é possível deduzir - Foto: Arquivo/Agência Brasil

Com a abertura do prazo para entrega do Imposto de Renda 2026, a atenção dos contribuintes se volta não apenas para o preenchimento correto, mas também para a restituição. No entanto, muitos brasileiros podem se frustrar ao perceber que, mesmo com mais gastos ao longo do ano, o valor devolvido não aumentou.

A explicação está menos nas despesas em si e mais na forma como elas são utilizadas na declaração. Em um cenário sem grandes mudanças nas regras, a diferença entre pagar menos imposto ou receber mais restituição continua nos detalhes, segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney.

Deduções: o que pode e o que não pode abater

Apesar da expectativa por mudanças, o conjunto de deduções do IR 2026 praticamente não sofreu alterações relevantes. Isso significa que não há “atalhos” novos, mas ainda existe margem para otimização.

“Deduções não são um benefício no sentido comum. Elas ajustam a base de cálculo. Quem entende isso costuma pagar menos imposto usando corretamente o que já está previsto na legislação”, afirma o tributarista Thiago Santinom, da Omnitax.

Na prática, dois contribuintes com renda semelhante podem ter resultados completamente diferentes, dependendo da organização das informações.

Despesas médicas: o peso na restituição

Entre todas as possibilidades, as despesas médicas continuam sendo as mais decisivas. Por não haver limite de dedução, esse tipo de gasto pode impactar diretamente a restituição. Por outro lado, qualquer inconsistência costuma levar o contribuinte para a malha fina.

Entram na conta:

  • consultas, exames e internações;
  • planos de saúde;
  • tratamentos com profissionais habilitados (médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, entre outros).

Gastos com educação: atenção ao limite

Educação é outra categoria que permite dedução, mas com um teto anual. Além disso, só vale para ensino formal.

Podem ser deduzidos:

  • escola (educação infantil, fundamental, médio);
  • faculdade (graduação);
  • pós-graduação reconhecida pelo MEC.

Ficam de fora cursos de idiomas, treinamentos livres e cursos profissionalizantes — um dos erros mais comuns entre contribuintes.

Previdência: oportunidade pouco explorada

As contribuições para a previdência também podem reduzir o imposto devido. A regra é:

  • INSS: dedução integral;
  • PGBL: dedução de até 12% da renda tributável.

“Essa é uma das poucas ferramentas que combinam planejamento tributário com organização financeira”, diz Santinom.

Dependentes: cuidado com o impacto na declaração

Incluir dependentes gera um abatimento fixo por pessoa. Mas há um ponto crítico: quando a renda do dependente precisa ser incluída na declaração, em alguns casos isso pode aumentar o imposto devido — exatamente o oposto do esperado. Por isso, é importante avaliar se a inclusão realmente compensa.

Modelo simplificado ou completo? A escolha que faz a diferença

Um dos erros mais recorrentes é escolher entre o modelo simplificado e o completo sem fazer uma simulação.

  • No simplificado, o desconto é padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado a um valor máximo.
  • No completo, as deduções são mais detalhadas e podem incluir despesas médicas, educação, previdência, dependentes e outras.

A escolha correta pode mudar completamente o resultado da declaração. “O ideal é sempre simular. Muitos contribuintes repetem a escolha do ano anterior sem nem revisar”, alerta Santinom.

Novas regras: isenção de R$ 5 mil ainda não vale para 2026

Uma das novidades recentes, a ampliação da faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, ainda não tem efeito direto na restituição de 2026. O tributarista Jean Paolo Simei e Silva, do Fonseca Brasil Serrão Advogados, explica que isso ocorre porque a declaração atual considera os rendimentos obtidos ao longo de 2025.

“A ampliação da isenção só terá impacto pleno na declaração de 2027. Para 2026, o melhor caminho continua sendo o uso eficiente das deduções tradicionais”, esclarece.

Cashback do IR: novidade para este ano

Neste ano, a Receita Federal trouxe uma inovação que pode beneficiar um grupo específico de contribuintes. O cashback do IR prevê restituição automática para cerca de 4 milhões de pessoas que não são obrigadas a declarar, mas tiveram imposto retido na fonte. O pagamento, de até R$ 1.000, será feito via Pix em lote específico.

Por que a restituição pode cair mesmo com mais despesas?

Mesmo com aumento de gastos, a restituição pode ser menor por fatores como:

  • aumento da renda tributável;
  • mudança de faixa de alíquota;
  • limites nas deduções (como no caso da educação);
  • escolha inadequada do modelo de declaração.

Planejamento começa antes da declaração

Especialistas destacam que o maior erro é deixar tudo para a última hora. “Maximizar a restituição depende de planejamento ao longo do ano, não apenas no momento da entrega”, afirma Simei.

Entre as boas práticas estão:

  • guardar todos os comprovantes desde o início do ano;
  • acompanhar as despesas dedutíveis;
  • planejar contribuições ao PGBL;
  • revisar a lista de dependentes;
  • considerar doações incentivadas (como para fundos da criança e do adolescente ou para atividades audiovisuais).

Não existe mágica

A ideia de que existe um “segredo” para pagar menos imposto é ilusória. O que existe, na prática, é organização. Em um ambiente em que a Receita Federal cada vez mais cruza dados, o contribuinte que erra não apenas perde dinheiro, mas assume riscos. Por outro lado, quem acerta não está driblando o sistema. Está apenas usando bem as regras do jogo.