31 de julho de 2025
SAÚDE

Casos de famosos impulsionam diagnósticos precoces de câncer de intestino no Brasil

Campanha Março Azul destaca que, após diagnóstico de Preta Gil, exames como colonoscopia cresceram 23% no SUS

Por Redação
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Março Azul: exames para rastrear câncer de intestino triplicam no SUS - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A campanha Março Azul, voltada à conscientização sobre o câncer de intestino, tem evidenciado um fenômeno relevante nos últimos anos: a repercussão de casos de pessoas públicas contribuiu significativamente para o aumento da procura por exames preventivos. De acordo com uma análise preliminar feita pela iniciativa, a trajetória da doença enfrentada pela cantora Preta Gil coincidiu com uma evolução expressiva nos números de rastreamento. Entre a divulgação do diagnóstico da artista, em 2023, e sua morte, dois anos depois, o total de pesquisas de sangue oculto nas fezes cresceu 18% no Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto o volume de colonoscopias aumentou 23%.

Especialistas apontam que o protagonismo de figuras públicas ao compartilharem publicamente suas experiências com o câncer de intestino tem um impacto direto na conscientização da população. “Ao tornarem público o diagnóstico de câncer de intestino, diversas pessoas famosas ajudaram a transformar a própria dor em alerta para milhões de outras pessoas. Nomes como Preta Gil, Chadwick Boseman, Roberto Dinamite e outros passaram a falar abertamente sobre sintomas, tratamento e, sobretudo, sobre a importância de não adiar a investigação quando algo não vai bem”, destacou um dos médicos envolvidos na campanha. Ele ressalta que cada entrevista, postagem ou depoimento dessas personalidades funciona como um lembrete de que o câncer de intestino pode atingir qualquer pessoa, mas que a chance de cura é muito maior quando a doença é descoberta em estágio inicial.

Promovida nacionalmente desde 2021, a campanha Março Azul é organizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Neste ano, a iniciativa conta com o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), da Associação Médica Brasileira (AMB), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e de outras sociedades de especialidades médicas. O objetivo da campanha é ampliar o acesso à informação sobre os fatores de risco, os sintomas e a importância do rastreamento precoce, principal estratégia para reduzir a mortalidade pela doença.

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é preocupante: as mortes prematuras por câncer de intestino, antes dos 70 anos, devem aumentar até 2030, tanto entre homens quanto entre mulheres. A projeção considera não apenas o envelhecimento populacional, mas também o crescimento da incidência da doença entre pessoas jovens, o diagnóstico tardio e a baixa cobertura de exames de rastreamento. Especialistas reforçam que a disseminação de informações, impulsionada por casos de alta visibilidade, tem se mostrado uma aliada importante no enfrentamento do câncer de intestino, ajudando a salvar vidas ao incentivar a realização de exames preventivos.