Casos de famosos impulsionam diagnósticos precoces de câncer de intestino no Brasil
Campanha Março Azul destaca que, após diagnóstico de Preta Gil, exames como colonoscopia cresceram 23% no SUS
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A campanha Março Azul, voltada à conscientização sobre o câncer de intestino, tem evidenciado um fenômeno relevante nos últimos anos: a repercussão de casos de pessoas públicas contribuiu significativamente para o aumento da procura por exames preventivos. De acordo com uma análise preliminar feita pela iniciativa, a trajetória da doença enfrentada pela cantora Preta Gil coincidiu com uma evolução expressiva nos números de rastreamento. Entre a divulgação do diagnóstico da artista, em 2023, e sua morte, dois anos depois, o total de pesquisas de sangue oculto nas fezes cresceu 18% no Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto o volume de colonoscopias aumentou 23%.
Especialistas apontam que o protagonismo de figuras públicas ao compartilharem publicamente suas experiências com o câncer de intestino tem um impacto direto na conscientização da população. “Ao tornarem público o diagnóstico de câncer de intestino, diversas pessoas famosas ajudaram a transformar a própria dor em alerta para milhões de outras pessoas. Nomes como Preta Gil, Chadwick Boseman, Roberto Dinamite e outros passaram a falar abertamente sobre sintomas, tratamento e, sobretudo, sobre a importância de não adiar a investigação quando algo não vai bem”, destacou um dos médicos envolvidos na campanha. Ele ressalta que cada entrevista, postagem ou depoimento dessas personalidades funciona como um lembrete de que o câncer de intestino pode atingir qualquer pessoa, mas que a chance de cura é muito maior quando a doença é descoberta em estágio inicial.
Promovida nacionalmente desde 2021, a campanha Março Azul é organizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Neste ano, a iniciativa conta com o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), da Associação Médica Brasileira (AMB), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e de outras sociedades de especialidades médicas. O objetivo da campanha é ampliar o acesso à informação sobre os fatores de risco, os sintomas e a importância do rastreamento precoce, principal estratégia para reduzir a mortalidade pela doença.
A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é preocupante: as mortes prematuras por câncer de intestino, antes dos 70 anos, devem aumentar até 2030, tanto entre homens quanto entre mulheres. A projeção considera não apenas o envelhecimento populacional, mas também o crescimento da incidência da doença entre pessoas jovens, o diagnóstico tardio e a baixa cobertura de exames de rastreamento. Especialistas reforçam que a disseminação de informações, impulsionada por casos de alta visibilidade, tem se mostrado uma aliada importante no enfrentamento do câncer de intestino, ajudando a salvar vidas ao incentivar a realização de exames preventivos.