31 de julho de 2025
MUNDO

Nuvem tóxica sobre Teerã após bombardeios israelenses causa problemas de saúde e risco de câncer

Moradores relatam dores de cabeça, irritação nos olhos e dificuldade para respirar

Por Redação
Publicado em
Destruição no Irã após ataques dos Estados Unidos e de Israel. - Foto: Reprodução/Iranian Red Crescent / AFP

Duas semanas após os bombardeios israelenses contra depósitos de petróleo em Teerã, uma nuvem tóxica continua pairando sobre a capital iraniana, representando sérios riscos à saúde da população. Os ataques ocorreram no dia 7 de março e atingiram diversas instalações petrolíferas.

A fumaça resultante dos bombardeios cobriu a cidade com poluentes como fuligem, partículas de petróleo e dióxido de enxofre. Horas depois, uma tempestade que atingiu a região encharcou Teerã com uma chuva tóxica e carregada de petróleo, agravando ainda mais a contaminação ambiental.

Uma reportagem do jornal The Guardian entrevistou moradores de Teerã, que relataram sintomas semelhantes: dores de cabeça intensas, irritação nos olhos e na pele e dificuldade para respirar.

Especialistas ouvidos pelo veículo alertaram que esses sintomas podem ser apenas os primeiros sinais. Os riscos a longo prazo incluem doenças cardiovasculares, comprometimento cognitivo, danos ao DNA e câncer.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o ataque representou um risco de “contaminar alimentos, água e ar, perigos que podem ter graves impactos na saúde, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes”.

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) alertou que a densa fumaça proveniente da queima de petróleo foi “inalada diretamente por pessoas no Irã – incluindo crianças pequenas –, o que levanta sérias preocupações sobre os impactos a longo prazo na saúde humana e ambiental”.

Andrea Sella, professora de química inorgânica no University College London, explicou ao The Guardian que o risco para a saúde a longo prazo “dependerá muito da duração e da gravidade da exposição de cada indivíduo”.

“Existe o potencial de contaminação do abastecimento de água potável. Não há dúvida de que a fumaça desses incêndios é muito prejudicial e podemos prever um legado persistente de doenças respiratórias e outras enfermidades no futuro”, afirmou.