31 de julho de 2025
ciência

Estudo mostra recuperação de atividade em tecido cerebral após congelamento

Técnica de vitrificação permitiu preservar funções neuronais em amostras de ratos, abrindo caminho para avanços na medicina e na pesquisa científica

Por redação
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Apesar do avanço, os cientistas ressaltam que a técnica ainda está longe de permitir a preservação de cérebros inteiros ou de seres humanos. - Foto: Ilustrativa / Freepik

Pesquisadores conseguiram recuperar atividade funcional em tecido cerebral de ratos após congelamento e descongelamento, em um avanço considerado inédito na área da neurociência.

O estudo, conduzido por cientistas da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberg e do Hospital Universitário de Erlangen, foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os experimentos mostraram que neurônios voltaram a responder a estímulos elétricos e a trocar sinais após o processo, preservando características essenciais do funcionamento cerebral em algumas amostras.

Para alcançar o resultado, os cientistas utilizaram a técnica de vitrificação, que consiste no resfriamento ultrarrápido do tecido com nitrogênio líquido, evitando a formação de cristais de gelo que danificam as células. O método foi aplicado em fragmentos do hipocampo de ratos — região ligada à memória — mantidos a temperaturas de até -150 °C.

Após o descongelamento, os pesquisadores observaram estruturas celulares preservadas e sinais de atividade neuronal próximos ao normal, incluindo processos associados à aprendizagem e memória.

Apesar do avanço, os cientistas ressaltam que a técnica ainda está longe de permitir a preservação de cérebros inteiros ou de seres humanos. Os testes foram realizados em pequenas amostras, e a aplicação em órgãos maiores apresenta desafios técnicos significativos.

Segundo os autores, as aplicações mais imediatas estão na área médica e científica, como a conservação de tecidos para pesquisa, estudo de doenças neurológicas e desenvolvimento de novos tratamentos.

O resultado também pode contribuir, no futuro, para melhorias na preservação de órgãos para transplante e no atendimento a pacientes com lesões graves no sistema nervoso.