Fome recua mais em lares chefiados por mulheres no Bolsa Família
Pesquisa indica avanço na segurança alimentar e destaca papel feminino na gestão da renda
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A fome apresentou queda mais acentuada em domicílios atendidos pelo Bolsa Família que são chefiados por mulheres, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas divulgado nesta sexta-feira (20).
De acordo com o levantamento, a proporção de lares com insegurança alimentar grave entre beneficiários comandados por mulheres caiu de 9,6% em 2023 para 7,2% em 2024 — redução de 2,4 pontos percentuais. Entre os domicílios chefiados por homens, a queda foi menor, passando de 8,6% para 6,8%.
O estudo também mostra avanço na segurança alimentar: cerca de 946,6 mil famílias deixaram a condição de fome no período analisado, sendo quase 670 mil lares liderados por mulheres.
A pesquisa aponta que, entre os domicílios beneficiários que alcançaram segurança alimentar, 71% têm mulheres como responsáveis. Segundo especialistas, o resultado está associado à forma como elas administram os recursos.
De acordo com a pesquisadora Janaína Rodrigues Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, mulheres tendem a direcionar os gastos para alimentação, saúde e educação, sobretudo quando há crianças no lar.
Atualmente, o programa atende cerca de 18,7 milhões de famílias em todo o país. Em mais de 84% dos casos, a mulher é a responsável pelo recebimento do benefício.
A ministra Anielle Franco destacou que a transferência direta de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade tem impacto no combate à fome e às desigualdades sociais. Já o ministro Wellington Dias classificou a estratégia como fundamental para reduzir a pobreza.
O estudo reforça a importância de políticas públicas de transferência de renda no enfrentamento da insegurança alimentar no país, especialmente entre as populações mais vulneráveis.