31 de julho de 2025
Esgoto

Cratera da BRK expõe empresa e ranking aponta Maceió com um dos piores índices de saneamento do país

Levantamento do Instituto Trata Brasil analisou os 100 municípios mais populosos do país e aponta que 43,3% da população brasileira ainda não tem acesso à coleta de esgoto

Por Redação
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Cratera na Avenida da Paz levou à autuação da BRK - Foto: . Foto: Cortesia

A divulgação do Ranking do Saneamento 2026 acendeu um alerta para Maceió. A capital alagoana aparece entre os municípios com piores índices de coleta e tratamento de esgoto no país, cenário que ganhou evidência após um recente problema na rede sanitária da cidade.

O levantamento, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, analisou os 100 municípios mais populosos do país e aponta que 43,3% da população brasileira ainda não tem acesso à coleta de esgoto. Entre as capitais com indicadores mais críticos estão Manaus, São Luís, Belém, Rio Branco, Macapá e Porto Velho, além de Maceió.

Na outra ponta, cidades como Curitiba, Santo André e Juiz de Fora já atingiram 100% de coleta de esgoto. No topo do ranking geral, Franca, São José do Rio Preto, Campinas e Santos aparecem com serviços universalizados.

O estudo também evidencia a relação direta entre investimento e resultado. Entre 2020 e 2024, os 20 municípios mais bem colocados investiram, em média, R$ 176,17 por habitante ao ano, enquanto os 20 piores aplicaram apenas R$ 77,58.

Nas capitais, o abastecimento de água se aproxima da universalização, com média de 93,67%, mas a cobertura ainda é desigual. Já o esgotamento sanitário segue como principal gargalo: apenas sete capitais superam 90% de coleta, e o mesmo número alcança ao menos 80% de tratamento.

Em Maceió, os problemas apontados no ranking se refletem em ocorrências recentes. Uma obra realizada pela concessionária BRK Ambiental provocou o rompimento de uma tubulação e abriu uma cratera na Avenida da Paz, no bairro Jaraguá.

De acordo com a prefeitura, a intervenção ocorreu sem alvará e causou vazamento de esgoto, comprometendo a base do asfalto e levando ao colapso do pavimento. O episódio gerou riscos para pedestres e motoristas, além de afetar o trânsito em uma das principais vias da cidade.

O extravasamento também atingiu a orla, com lançamento de esgoto no mar, levantando preocupações sobre a qualidade da água e possíveis impactos à saúde pública e ao meio ambiente.A gestão municipal informou que a concessionária foi autuada e notificada a regularizar a situação, citando irregularidades como o lançamento indevido de esgoto e a ausência de comunicação prévia sobre a obra.