31 de julho de 2025
STF

STF condena deputados do PL por corrupção em esquema de emendas parlamentares

Suprema Corte reconhece cobrança de propina para liberação de recursos públicos e marca um dos julgamentos mais relevantes sobre uso irregular de emendas no país.

Por RAYANY FRANÇA
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STF - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou deputados federais do Partido Liberal (PL) acusados de participar de um esquema de corrupção envolvendo a liberação de emendas parlamentares. A decisão foi tomada pela Primeira Turma da Corte nesta terça-feira (17) e representa um marco em julgamentos criminais contra parlamentares por irregularidades no uso de recursos públicos. 

Os parlamentares Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil, além do suplente Bosco Costa, foram acusados pela Procuradoria-Geral da República de cobrar propina para liberar verbas federais por meio de emendas destinadas a municípios. Segundo a acusação, o grupo exigiu cerca de R$ 1,6 milhão em vantagem indevida para viabilizar a destinação de aproximadamente R$ 6,6 milhões em recursos públicos voltados principalmente à área da saúde. 

De acordo com as investigações, o esquema teria ocorrido em 2020 e envolvia pressões sobre a prefeitura de São José de Ribamar (MA) para que parte do valor das emendas fosse devolvida aos parlamentares como contrapartida. A denúncia foi apresentada pelo então prefeito da cidade, que relatou cobranças e intimidações após a liberação dos recursos federais. 

Para a Procuradoria-Geral da República, os parlamentares integravam o núcleo central de uma organização criminosa que se aproveitava da prerrogativa de indicar emendas ao Orçamento para negociar o direcionamento de verbas públicas. Conversas, documentos e depoimentos reunidos na investigação indicariam a existência de um sistema estruturado de cobrança de percentual sobre os valores destinados aos municípios. 

Durante o julgamento, as defesas negaram irregularidades e argumentaram que as acusações seriam baseadas em provas frágeis ou interpretações equivocadas de diálogos e documentos. Ainda assim, a maioria dos ministros da Primeira Turma acompanhou o voto do relator e decidiu pela condenação, reconhecendo a prática de crimes como corrupção passiva. 

Além dos parlamentares, outras pessoas ligadas ao grupo político também foram processadas no caso, totalizando oito réus na ação penal analisada pelo Supremo. Com a decisão, o tribunal ainda deverá definir as penas e os efeitos da condenação, que podem incluir prisão, pagamento de multas e eventual perda de mandato, dependendo da fase final do processo. 

O julgamento ocorre em meio ao debate nacional sobre transparência e controle no uso das emendas parlamentares mecanismo que permite a deputados e senadores direcionar recursos do Orçamento para projetos em suas bases eleitorais. Especialistas apontam que decisões judiciais desse tipo reforçam a necessidade de fiscalização mais rigorosa sobre a destinação dessas verbas públicas.