31 de julho de 2025
RIO DE JANEIRO

Jovem autista sofre fratura após agressão em escola inclusiva de Cabo Frio; mãe denuncia omissão

Davi Elias Júnior, de 21 anos, está internado com fratura no colo do fêmur e aguarda cirurgia. Professor foi afastado e polícia investiga o caso como lesão corporal

Por Redação
Publicado em
Jovem diagnosticado com autismo de nível três de suporte no Hospital em Araruama, RJ. - Foto: Arquivo pessoal

A mãe de um jovem autista de 21 anos denuncia que seu filho foi agredido por um professor dentro da Escola Municipal Renato Azevedo, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Davi Elias Júnior, diagnosticado com autismo nível 3 de suporte e transtorno do desenvolvimento, está internado no Hospital Roberto Chabo, em Araruama, com fratura no colo do fêmur. A cirurgia está marcada para esta terça-feira (17).

Segundo Cristina da Conceição Costa, o caso aconteceu na última quarta-feira (11), mas a família só foi informada ao buscar o jovem no transporte escolar. “Eles foram omissos. Não me ligaram, não chamaram o bombeiro e ainda colocaram ele no ônibus machucado”, afirmou ao g1. Ao chegar no ponto de desembarque, a mãe precisou tirar o filho do veículo no colo, enquanto ele gemia de dor.

A versão inicial registrada na agenda do aluno pela escola era de que ele teria se desequilibrado e caído. No entanto, após questionamentos da direção, auxiliares teriam revelado que o jovem foi empurrado. De acordo com o relato, Davi estava deitado em um tatame após a aula de educação física quando foi chamado para ir embora. Ao resistir a se levantar, houve o episódio que resultou na queda. Mesmo após o ocorrido, o estudante foi obrigado a caminhar da quadra até o portão, só então perceberam que ele não conseguia colocar o pé no chão.

Em casa, com fortes dores, Davi foi levado a uma unidade de emergência em São Pedro da Aldeia, onde exames e tomografia confirmaram a fratura. A mãe relata dificuldades no atendimento: passou três dias com o filho em uma sala de medicação, sem leito adequado, e sem qualquer suporte da escola.

A Secretaria Municipal de Educação informou que, ao tomar conhecimento do caso, afastou o professor imediatamente e instaurou um processo administrativo para apuração. A pasta também registrou boletim de ocorrência junto à polícia, que investiga o episódio como lesão corporal culposa.

“A Secretaria lamenta os fatos relatados e se solidariza com a família, reforçando que seguirá acompanhando o caso com rigor, colaborando integralmente com as autoridades competentes”, diz a nota oficial.

A mãe, no entanto, contesta o registro policial feito pela secretaria sem a presença da família. “Quem tem que fazer o boletim somos nós. Eles fizeram sem a nossa presença”, afirma. Cristina pretende registrar uma nova ocorrência após a cirurgia, com base no laudo médico completo, e reforça que também considera que houve omissão por parte da instituição.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.